O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 13/09/2019
Ao longo dos séculos XIX e XX, as epidemias de cólera, tuberculose e outras patologias físicas tiraram a vida de milhões de pessoas. Posteriormente, diante da passagem do século XX ao XXI, o surgimento de uma nova enfermidade marcou esse novo contexto que, assim como as outras, atinge milhões de pessoas no mundo, conforme afirma a Organização Mundial da Saúde. Também conhecida como “a doença do século”, a depressão é uma doença incapacitante e marcada pela tristeza patológica e suas causas se encontram nas relações sociais cada vez mais inconstantes, além do cansaço físico e psicológico do indivíduo depressivo.
Em primeira análise, cabe destacar que a mudança para uma modernidade líquida, análise feita pelo sociólogo Zygmut Bauman, acompanhou uma transformação nas interações sociais que se tornaram mais inconstantes e indefinidas. Com efeito, o número de diagnósticos de depressão apresentou um aumento de 705%, segundo o DataSUS, o que evidencia a relação direta entre essa nova formação social com os quadros depressivos. Além disso, a modernidade também é marcada pelo uso excessivo da tecnologia e de redes sociais, consequentemente, isso contribui para o distanciamento das relações reais fora do mundo virtual. De fato, sob a ótica do teórico Albert Einstein: “meios cada vez mais precisos para fins cada vez mais vagos são uma característica da nossa época”, o uso desmoderado desses aparatos tecnológicos alimentam a sensação de abandono na vida real.
Outrossim, a partir da perspectiva do sociólogo Byung-Chul Han, a sociedade contemporânea exige indivíduos cada vez mais produtivos. Com isso, a pressão para apresentar resultados e destacar-se na comunidade reflete no estresse comportamental da pessoa. Nesse contexto, os jovens são os principais afetados que por não demonstrarem as características necessárias para obter esse alto desempenho, entram em um quadro de síndrome amotivacional. Por certo, segundo um estudo realizado pela Universidade John Hopkins, a depressão é mais comum entre jovens, o que reafirma a vulnerabilidade psicológica desse grupo.
Diante disso, é por meio do comprometimento do poder público e da comunidade que a depressão será vencida na sociedade. A priori, os grupos organizados da comunidade devem incentivar o debate sobre o impacto das tecnologias e das relações sociais no aumento dos casos de depressão, mediante a realização de encontros em locais públicos e universidades, a fim de levar este conhecimento à população de uma forma geral para que possam entender a depressão afinal. Ademais, o Governo Federal deve ampliar o número de psicólogos pelo Estado a fim de viabilizar o acesso ao tratamento para todos, sobretudo para os jovens, por meio do aumento da verba à saúde primária.