O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/08/2019

Em meados do século XIV, durante a baixa Idade Média, a população da época permeou uma das maiores epidemias já registradas: a peste bubônica. Indubitavelmente, ela fora uma doença avassaladora, visto que dizimou um terço da população medieval. No contexto hodierno brasileiro, a depressão configura-se como “o mal do século”, dado que, tal fenômeno manifesta-se corriqueiramente e, principalmente, entre os jovens. Dessa maneira, a problemática intensifica-se haja vista, o imediatismo do século XXI e o desconhecimento populacional - sobretudo da população em condições de vulnerabilidade socioeconômica- acerca dos distúrbios depressivos.

Em primeiro lugar, destaca-se a insaciável busca pelo imediato- permeada pelo uso excessivo das redes sociais- proporcionadora de frustrações que encaminham o indivíduo ao quadro depressivo. De acordo com Sócrates, filósofo grego antigo, “O homem é um ser social,” ou seja, encontra sua plenitude quando sente-se parte de um grupo e alcança solidez em seus relacionamentos. Contudo, segundo Zigmunt Bauman, filósofo alemão contemporâneo, vive-se a era da “modernidade líquida” onde tudo é instantâneo e efêmero, a um clique de ser feito ou desfeito, traçando uma correlação entre imediatismo e infelicidade humana. Porquanto, para Bauman, as relações, também, são dotadas de liquidez e, com isso, perpassam a infelicidade humana.

Outrossim, a ignorância populacional acerca da depressão configura-se um grave problema, uma vez que inibe a busca por tratamento. Segundo a OMS - Organização Mundial da Saúde- apesar do Brasil ser o país da America Latina com o maior percentual nos casos de prostração, menos de 10 por cento dos cidadãos buscam e recebem as medidas terapêuticas, tal porcentagem é ainda menor dentre os moradores da periferia. Alem disso, é tácito que a população em situação de vulnerabilidade social padece, ainda mais, com a doença. Pois, segundo o psicólogo Alexander Valverde " a população pobre do Brasil é a que mais sofre com casos depressivos, visto a fragilidade social e a falta de recursos para tratar-se."

Portanto, considerando os fatores supracitados, urge que o governo federal implante, por meio das mídias, campanhas de conscientização acerca da era do imediatismo e seus malefícios para a saúde mental humana, veiculando a importância do cuidado no uso das redes sociais. Ademais, o MEC - Ministério da Educação- deve atuar ,massivamente, nas escolas periféricas, ensinando massivamente os sintomas e busca por tratamentos da depressão, por meio de palestras com os alunos e a comunidade, facilitando o contato entre psicólogos e a população carente. A fim de conscientizar e tratar o maior número de pessoas, somente assim, a depressão não se igualará à  peste negra.