O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 08/08/2019

A constituição da psiquiatria enquanto campo médico se deu no início do século XVII. Desde então, diversas doenças mentais foram descobertas, entre elas a depressão, que é caracterizada por um estado de desânimo, tristeza e irritabilidade. Atualmente, segundo um relatório feito pela Organização Mundial da Saúde, essa é a principal doença entre jovens de 10 a 19 anos, que pode ser explicada, em parte, pela pressão social e pessoal que vivem no cotidiano, e também pela falta de conhecimento da doença.

Em virtude disso, a depressão é tema recorrente em diversas séries e filmes de sucesso, como em “Se enlouquecer, não se apaixone”, no qual mostra a realidade da vida de um jovem que ao se sentir pressionado com seu futuro, acaba desenvolvendo a doença. Assim como na trama, os jovens brasileiros vivem em um ciclo eterno de pressão psicológica, principalmente por parte da família e da escola, que cobram para que eles estudem, passem em vestibulares e consigam vagas nas melhores universidades, pois só assim terão um futuro brilhante. Nesse sentido, eles acabam se sobrecarregando e sentindo que se falhar, mesmo que minimamente, destruirá seu futuro e decepcionará a todos. Com isso, acabam desenvolvendo transtornos, como ansiedade e bipolaridade, e se sentem frustados, o que acaba levando a depressão.

Por conseguinte, o desconhecimento da população em relação a doença colabora para o seu aumento. Segundo a coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção ao Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, Alexandrina Meleiro, a falta de conhecimento faz com que o assunto se torne um tabu, logo, as pessoas acabam criando um preconceito e rotulando os depressivos como desocupados e preguiçosos, quando na verdade, eles se sentem incompreendidos e solitários, o que faz com que o problema se intensifique.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, promover em escolas e faculdades, palestras ministradas por psicólogos e profissionais da saúde mental, voltadas não apenas para os alunos, mas para os pais e professores também, na perspectiva de explicar sobre como a pressão cobrada nos jovens pode ser um gatilho para desenvolver não apenas a depressão, mas também outros problemas psicológicos. Ademais, a mídia - televisão, jornal, rádio, internet - deve abrir espaço para que psicólogos e psiquiatras possam discutir os mecanismos e sintomas da doença, a fim de esclarecer a população no modo geral, para que assim, os depressivos sejam vistos como pessoas que precisam ser ajudadas, não julgadas.