O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 09/08/2019

De acordo com o sociólogo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e agir, dotada de generalidade, exterioridade e coercitividade. Seguindo essa linha de raciocínio, pode-se observar que a sociedade contemporânea se enquadra na teoria na medida em que exclui socialmente os indivíduos que não cumprem o que é considerado normal diante do todo. Essa exclusão pode desencadear problemas como a depressão, doença com intensa frequência entre os jovens na atualidade e que pode ser influenciada pelo excesso de cobranças no meio profissional e pela insatisfação com a imagem pessoal.

Em primeiro lugar, é notável a influência das exigências do campo profissional. A juventude é o momento em que o cidadão procura se inserir no mercado de trabalho com ampla concorrência e após a conquista ainda existe a pressão psicológica gerada pela necessidade de manutenção do emprego e do aumento da produtividade na realização das atividades. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão será a maior causa de afastamento do trabalho até 2020. Isso devido ao ambiente competitivo em que se exige um alto desempenho sem, muitas vezes, ser compensado de forma proporcional. Esse excesso de trabalho pode gerar um estresse nos indivíduos, tornando-os deprimidos e afetando diretamente o seu rendimento.

Além disso, é preciso considerar a estética corporal como uma das causas desse mal. A valorização da magreza ou do corpo musculoso, padrões de beleza impostos pela sociedade e pelos meios de comunicação, geram um sentimento de insatisfação no jovem com a sua imagem pessoal, e as tentativas frustradas de se enquadrar neles servem como um pilar para o desenvolvimento da depressão e de transtornos alimentares e mentais, tais como a anorexia e a bulimia nervosas. Uma pesquisa realizada por Universidades da Austrália e do Reino Unido que concluiu que o índice de massa corporal mais elevado pode ocasionar o desenvolvimento de doenças mentais, comprova a influência da mídia e dos padrões de beleza impostos sobre a saúde psicológica dos indivíduos.

Portanto, são perceptíveis os prejuízos que essa doença pode causar e a necessidade de intervenção nos seus problemas geradores. Cabe, então, ao Estado investir na criação de programas de tratamento especializado e avançado no Sistema Único de Saúde a serem ofertadas de forma gratuita para facilitar o acesso e realizar campanhas conscientizadoras, através da mídia, que informem sobre os riscos da doença e a necessidade de procurar ajuda médica. Cabe também às empresas, administrar melhor as jornadas de trabalho e estabelecer metas e escalas de funções que prezem pela saúde do empregado de modo que não haja exaustão e reduza, assim, as situações de estresse.