O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 20/08/2019

Tristeza profunda. Isolamento social. Suicídio. Esses são alguns dos sintomas característicos da depressão, um transtorno mental complexo que aflige milhares de brasileiros e, infelizmente, ainda é tratado como tabu pela sociedade. Como consequência desse descaso, o Brasil ocupa a oitava posição no mundo, em número de casos de suicídio, cuja principal causa é a depressão, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Isto posto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, sendo indispensável identificar formas de prevenção e de tratamento para que políticas públicas adequadas sejam propostas para a resolução da problemática.

Em primeira análise, cabe pontuar que a idealização da felicidade e o preconceito são os principais obstáculos para o desenvolvimento de ações preventivas no combate à depressão. Segundo o filósofo Durkheim, a causa para todos os tipos de suicídio é social. Sob esse viés, infere-se que o ritmo de vida acelerado, associado ao ilusório “mundo perfeito” promovido pelas redes sociais, são exigências implícitas do padrão coletivo contemporâneo para o alcance do sucesso e da felicidade. Logo, a frustração, gerada pelo fracasso, favorece o aumento do número de casos de depressão, e o constrangimento em expor os sintomas dessa doença, por vergonha ou estigma, contribui para o seu agravamento. Diante disso, investir na prevenção, por meio de campanhas de sensibilização, é essencial para que as pessoas percebam o problema e busquem por tratamento.

Além disso, outro desafio a ser enfrentado, é a dificuldade no acesso ao tratamento da depressão pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 78% das pessoas que sofrem de depressão não recebem nenhum tipo de tratamento. Isso justifica a posição que o país ocupa no mundo, em casos de suicídio, e corrobora a necessidade de mudança desse cenário. Dessa forma, vê-se a importância do papel do Ministério da Saúde para o atendimento dos enfermos, através da ampliação do tratamento por psicoterapia na rede pública de saúde, assim como para a disponibilização de medicamentos para os casos mais graves.

É evidente, portanto, que políticas públicas precisam ser estabelecidas para que os efeitos da depressão sejam atenuados na sociedade brasileira. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, em parceria com as Unidades Básicas de Saúde (UBS), deve prover infraestrutura humana e material suficiente, por meio do aporte de recursos do SUS na área de saúde mental, a fim de atender a demanda de indivíduos acometidos por depressão. Da mesma forma, o Governo Federal deve investir em campanhas educativas, a fim de despertar na sociedade a consciência da gravidade dessa doença, bem como, propiciar o apoio mútuo entre os cidadãos. Assim, o Brasil poderá superar esse desafio.