O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 02/09/2019
A crise de 1929, também conhecida como “A grande depressão”, abalou economicamente os Estados Unidos, impulsionando os quadros de depressão na época, devido à queda da bolsa de valores. Atualmente, após a explosão do capitalismo e da globalização, os índices de depressão cresceram demasiadamente e a doença tornou-se um problema mundial, atingindo principalmente os jovens. Nesse sentido, faz-se necessário discutir o aumento da depressão entre os jovens no Brasil, impulsionado tanto pela falta de entendimento desse transtorno mental, quanto pela censura midiática. Convém ressaltar, a princípio, que a depressão entre jovens é um tema pouco abordado e entendido pela sociedade, por ser considerado um “tabu”. Isso ocorre pois, de acordo com o filósofo Michel Foucault, em sua obra “Ordem do discurso”, há diversas formas de controle e exclusão do discurso. Uma delas é o “tabu do objeto” ou “palavra proibida”, em que existem determinados assuntos dos quais não podemos falar, que não devem estar em nosso discurso, dentre esses, a depressão é um exemplo. Sob esse viés, o tabu em torno da depressão corrobora a falta de diálogo e priva os jovens de informações essenciais acerca dos efeitos dessa doença, fomentando ainda mais o revés. Outrossim, apesar de atingir uma boa parcela da população, a depressão e suas consequências raramente são tratadas com a devida importância na mídia nacional. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, 25 pessoas cometem suicídio por dia no Brasil e 90% dos casos estão associados à depressão grave. Apesar disso, a imprensa não é unânime ao divulgar casos de suicídio, dando notoriedade apenas às personalidades vítimas da doença, como é o caso do ex-presidente Getúlio Vargas. Ainda assim, segundo a Organização Mundial da Saúde, as mídias têm papel fundamental na prevenção à depressão e, consequentemente, ao suicídio, apresentando o tema sem romantizá-lo.
Portanto, é imprescindível que o Poder Público tome providências para amenizar o aumento da depressão entre os jovens. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, desenvolver projetos nas escolas, por meio de palestras elucidativas, dados estatísticos e disponibilização de profissionais da área da saúde, como psicólogos e psiquiatras, haja vista que com acompanhamento especializado, os jovens se sentirão mais seguros ao revelar seus problemas. Com tal medida, espera-se que a depressão deixe de ser um tabu na sociedade e seja encarada como uma doença comum, que pode afetar qualquer indivíduo. Feito isso, a realidade vivida durante “A grande depressão” estará cada vez menos presente na sociedade atual.