O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 25/08/2019
O fetichismo da juventude que existe em regimes capitalistas busca estimular o consumo através da pressão estética, que influencia a população a buscar uma aparência cada vez mais jovem como sinônimo de energia, modernidade e força. Entretanto, é possível identificar uma contradição nos países que vivem sob essa estratégia: altos níveis de depressão entre os jovens. Infelizmente, no Brasil, esse índice aumenta, transparecendo uma realidade, muitas vezes, ignorada.
Uma rotina cada vez mais acelerada e sonhos econômicos progressivamente mais altos e, aparentemente, mais distantes fazem com que os adultos trabalhem mais e fiquem em casa menos, com tempo reduzido de ócio, de descanso e claro, de convivência com a família. Dessa forma, crianças e adolescentes são criados por pessoas de fora do circulo familiar, isso quando existe uma referência de criação e eles não se desenvolvem perdidos quanto aos papeis e representações de amor, companheirismo e até de cidadania. Todos os dias novos lares brasileiros são adicionados a essa dinâmica de ausência, que traz suas consequências: mais filhos depressivos para as estatísticas.
Apesar de os estudos sobre depressão terem aumentado nas últimas décadas, bem como sua desmistificação, fatores que contribuíram para acabar com o que se acreditava ser histeria, a doença ainda atinge duas vezes mais meninas do que meninos, depois da puberdade, de acordo com artigo publicado pelo medico Drauzio Varella em seu blog. Para além de motivos bioquímicos, isso acontece devido a culturas extremamente machistas, como a do estupro, que machucam todas as esferas da vida feminina, especialmente no Brasil, onde o assédio e a pedofilia geram traumas diários. O aumento do número de casos, no entanto, não ocorre porque essas atrocidades também cresceram, mas devido a maior liberdade que, hoje, as garotas têm para se expressarem e pedirem ajuda.
O aumento da depressão entre os jovens no Brasil se dá, em suma, diante da falta de intimidade familiar e, ainda mais entre as meninas, devido ao machismo. Por isso, é necessário que as empresas estabeleçam “o dia da família” em seus calendários mensais, para que os trabalhadores reforcem seus vínculos afetivos, o que melhoraria o rendimento deles e, principalmente, a saúde mental das crianças e adolescentes, que teriam adultos mais presentes. Além disso, é importante que os grandes telejornais retratem não só as estatísticas que aumentaram, mas que também celebrem a voz que as meninas possuem para exporem suas dores, a promovendo ainda mais, e abram espaço em suas programações para desconstruir culturas que menosprezam o feminino, principalmente na juventude, através de reportagens que não camuflem a violência, mas que reeduque a população para o respeito. Por caminhos como esse, os números voltarão a diminuir e os jovens serão mais felizes.