O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 24/08/2019
A segunda geração Romântica - conhecida como “Mal do Século” - apresentava uma postura escapista, na qual a morte era vista como uma forma de libertação dos sofrimentos humanos. De modo semelhante, o número de indivíduos brasileiros que idealizam a morte como forma de evasão da realidade é exorbitante, devido à depressão. Diante disso, deve-se analisar como a ausência de conhecimento da sociedade sobre o transtorno e o individualismo exagerado induzem a problemática.
É relevante enfatizar, a princípio, que o desconhecimento em relação à depressão pode agravar essa doença. Isso ocorre porque, embora a Terceira Revolução Industrial tenha proporcionado a ampla aquisição de informações e maior interação entre os indivíduos, muitos deles ainda são movidos por mitos sobre o transtorno depressivo. Por exemplo, acredita -se - erroneamente - que a depressão não é uma doença médica ou que “vai embora” sem tratamento. Por consequência disso, essa doença não é diagnosticada e tratada, induzindo o seu agravamento. Não é à toa que cerca de 5,8% da população nacional seja afetada pela depressão, conforme a OMS.
Outrossim, destaca-se, ainda, o individualismo elevado como impulsionador do problema. Isso acontece devido, conforme defendeu o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua célebre obra “Modernidade Líquida”, as pessoas não buscam se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e a maioria da população acaba, muitas vezes, não se importando com o sofrimento depressivo de um indivíduo, como sua solidão e sua tristeza.
Infere-se, portanto, que a ausência de informação em relação à depressão e o individualismo exacerbado influenciam a problemática. Desse modo, é necessário que a mídia televisa, digital e imprensa precisam divulgar propagandas que instruam como identificar e agir com pessoas que possuem o transtorno, a fim de desconstruir os tabus ainda existentes. Ademais, o Ministério da Educação, juntamente com as escolas, deve alterar o currículo escolar, adicionando a disciplina de ética e cidadania no ensino infantil, fundamental e médio. Pois, tal disciplina terá o intuito de promover a empatia ao próximo, no qual mitigará o individualismo presente no meio social.