O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 26/08/2019
“Ao vencedor, as batatas”
Um relatório publicado em 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apresenta a estimativa de que entre os países das Américas o Brasil possui uma das mais altas porcentagens de casos de depressão, cerca de 5,8% da população e, globalmente, aumento de 18%. Essa doença tem, entre os diversos sintomas, a síndrome amotivacional, ou seja, apatia pela vida, falta de energia e motivação, atingindo todas as idades, e nesse país, entre os jovens, tende a aumentar devido a diversos fatores, sendo necessário ações preventivas e corretivas, visando, também, diminuir o preconceito que intrinsecamente a sociedade possui, pois a depressão é facilmente confundida com tristeza.
O crescente número de casos está relacionado com a situação pela qual o Brasil se encontra, pois a qualidade de vida e renda da sociedade faz parte da complexa interação entre as condições de desenvolvimento do transtorno. Jovens que vivem em zonas periféricas têm recursos limitados e precários como falta de saneamento básico e educação de qualidade, contato com criminosos e drogas, famílias com problemas estruturais, baixa oportunidade de trabalho e atendimento médico.
Entretanto, aqueles com renda de classe média ou alta também desenvolvem depressão, seja por pré disposição genética, acontecimentos traumáticos ou repentina mudança na qualidade de vida, ressaltando que, independente do faturamento monetário, todos podem passar pelas mesmas condições e adquirir transtornos mentais ou não. Além disso, o preconceito com a doença, denominado psicofobia, causa aos doentes piora em sua condição, pois os afasta de convívio social por medo de serem discriminados, e pelo mesmo motivo dificulta a procura à assistência médica e pode levar ao suicídio, isso porque seu principal sintoma, mas não único, é visto de forma errônea como tristeza.
Portanto, como retratado pela máxima “Ao vencedor, as batatas”, por Machado de Assis em Quincas Borbas, a luta pela sobrevivência é constante e a seleção da natureza rigorosa, por esse motivo pessoas com depressão precisam que a sociedade esteja livre de julgamentos, evitando assim casos de morte ou piora de condição, incentivando-os a buscar ajuda médica para contribuir com o doente a, não apenas sobreviver, mas viver. O governo, por meio da coleta de impostos, deve construir mais postos de saúde ou incentivar a formação de profissionais na área de transtornos mentais, afim de aumentar a disponibilidade de tratamento, melhorar e evitar que a taxa de aumento dos transtornos continue a crescer, além de investir em melhores condições de vida para a população periférica, por meio de incentivos a cultura, lazer e educação em locais adequados para tais atividades.