O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/08/2019
O filme americano “Beleza Oculta” retrata a história do empresário Howard, acometido pela depressão, após a trágica morte de sua filha única Olívia por câncer cerebral. Entretanto, fora das telas, vê-se que o aumento do número de casos dessa doença, sobretudo entre a população jovem, é uma realidade no cotidiano brasileiro. Nesse sentido, entre os entraves responsáveis pela elevação desse mal, pode-se citar: a inércia estatal na ampliação do investimento para atendimento à saúde mental, bem como a falta de empatia social em relação ao acolhimento dos indivíduos doentes.
Em primeira análise, nota-se a letargia do Estado na promoção de subsídios para o combate e tratamento de depressão na esfera da Saúde Pública. De acordo com a Magna Carta de 1988, em seu Artigo 6°, todo cidadão tem o direito à saúde de qualidade. Contudo, a prática deturpa a teoria, visto que a malha pública brasileira carece de uma política eficaz em saúde mental no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o qual não possui medicamentos e profissionais capacitados, de que necessita, para o tratamento dos jovens depressivos. Em decorrência disso, há um acesso precário ao tratamento nos hospitais, fato preocupante ao levar-se em conta que aproximadamente um quinto da população brasileira já teve algum caso depressivo na vida, conforme dados do órgão BioMed Central.
Por outro ângulo, percebe-se a postura indiferente da sociedade no que tange ao apoio aos juvenis para superar o transtorno depressivo. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o corpo social possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Sob este viés, verifica-se a aplicação desse princípio no contexto brasileiro, uma vez que a coletividade, ao longo do tempo, absorveu valores banalizados em relação à saúde psíquica , os quais geraram, no meio familiar, um estigma de que tudo é “frescura” do adolescente, sem se dar a devida importância aos males físicos e psicológicos ocasionados por tal patologia. Destarte, medidas enérgicas são necessárias para se alterar a “padronização social”, proposta por Bourdieu.
Nesse cenário, é vital a mudança do quadro delicado de aumento da depressão entre os púberes no Brasil. Logo, o Tribunal de contas da União, deve direcionar verbas que, por intermédio do Ministério da Saúde, serão revertidas na contratação de psicólogos e psiquiatras, com especialização em saúde mental, para o reforço do efetivo no atendimento dos indivíduos atingidos por essa enfermidade, com o intuito de garantir o que é previsto em Lei, a fim de proporcionar boa qualidade de vida à parcela juvenil. Ao mesmo tempo, cabe às Prefeituras e ONGs a realização de debates e mesas-redondas, em escolas e centros culturais, com vistas a informar sobre os sintomas da depressão e da necessidade de apoio familiar durante a doença. Assim, o panorama abordado no filme ficaria restrito à ficção.