O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 09/09/2019

“Os suicidas, mesmo os que planejam a morte, não querem se matar, mas matar sua dor”. A frase do doutor em psicanálise e médico psiquiatra, Augusto Cury, deixa clara a real intenção daqueles que planejam atos contra a própria vida. Aliado a isso, indubitavelmente, no Brasil, percebe-se um crescimento significativo no número de suicídios entre jovens. Dessa forma, faz-se pertinente analisar as razões dessa problemática, haja vista a primordialidade do seu combate.

De início, é importante pontuar a ligação entre relações sociais e suicídios. Isso porque a causa mais comum de suicídios é a depressão, que, por sua vez, deriva de um conjunto de elementos sociais influenciadores do comportamento e das cognições, tais como solidão, tristezas e bullying, aspectos presentes no cotidiano e no relacionamentos de vários jovens. Sob o mesmo ponto de vista, o sociólogo Émile Durkheim afirmava que a responsabilidade dos suicídios residia na “fragilidade moral” da sociedade. Destarte, uma sociedade intrinsecamente coletiva é um passo a frente na redução de casos autocidas.

Outrossim, deve-se ressaltar a influência do consumo de drogas, lícitas e ilícitas, no suicídio. Isso se explica no fato de drogas, como o álcool, por exemplo, cada vez mais comum na rotina dos jovens, serem substâncias que provocam alterações nas condições normais de funcionamento da atividade cerebral e hormonal, afetando a mentalidade e o emocional do indivíduo, visto que se a ingestão estiver associada à momentos depressivos, pensamentos suicidas podem eclodir. Prova disso é o estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo, Unifesp, constatando que em 21% dos casos estudados houve consumo de álcool até 6 horas antes da tentativa de assassinar-se.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de combater o suicídio entre jovens no Brasil. Assim, é mister que o Estado, em parceria com a mídia, aplique verbas na impulsão e no alcance de campanhas, como o Setembro Amarelo, por exemplo, mediante taxas tributárias convertidas em menções, explicações e citações em jornais, novelas e propagandas, a fim de elevar a expressividade da temática na sociedade brasileira. Desse modo, construir-se-á um corpo social que, além de tratar a depressão como um problema sério e notório, é mentalmente capaz de buscar acabar com sua dor, mas não sua vida.