O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 03/09/2019

A segunda geração do Romantismo brasileiro, conhecida como mal do século, é marcada pelo pessimismo e por forte tendência depressiva. Hodiernamente, é possível perceber características dessa vertente na realidade brasileira. Nesse contexto, é premente entender o que motiva o aumento da depressão entre jovens na terra tupiniquim.

Mormente, é imperativo pontuar que a idealização de felicidade propagada no mundo contemporâneo ampara tal mazela. Friedrich Nietzche, em “O Crepúsculo dos ídolos”, diz que inventar fábulas de outro mundo diferente deste não tem sentido a não ser que se domine um instinto de depreciação. Sob tal ótica, ao ser reforçado pela mídia um referencial de felicidade baseado no consumo, desencadeia-se nas pessoas a busca por uma felicidade idealizada que deriva uma cíclica sensação de mal-estar. Tendo em vista que são padrões praticamente inatingíveis, e quando alcançados geram apenas felicidade transitória.

Outrossim, essa problemática deriva, ainda, do despreparo civil para lidar com a depressão. Segundo uma pesquisa nacional conduzida pelo Ibope, metade dos brasileiros não sabe o que é depressão. Tal fato contribui para a estagmatização da depressão que muitas vezes é tida como “frescura”. Nesse sentido, há por parte de quem sofre com a doença uma resistência a admitir para si e a procurar um profissional. Desse modo, fica mais árduo realizar o diagnóstico e consequentemente um tratamento. Assim, é mister medidas para atenuar o impasse.

Depreende-se, portanto, que os meios de comunicação de massa devem desenvolver entrevistas com profissionais da área, como psicólogos, com linguagem clara e objetiva, a fim de tornar a sociedade mais consciente acerca da depressão e minorar o mal causado pela falta de informações. Concomitantemente, as instituições de ensino devem promover palestras e debates que tratem da importância do pensamento crítico, com o objetivo de formar, desde a tenra idade, indivíduos questionadores. Quiçá, assim, será possível coíbir o mal do século XXI.