O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 04/09/2019
Inserida no atual contexto social, a discussão acerca do aumento da depressão entre os jovens no Brasil tornou-se um problema de Saúde Pública. Esse distúrbio afetivo considerado pela OMS como o “Mal do século” já se manifestava em meados de 1850 na Segunda Geração Romântica. À época, os heróis encontravam na morte uma solução para seus problemas existenciais (pessimismo, sofrimento e isolamento), demonstrando um constante conflito com a sociedade.
A princípio, tem-se a questão da Saúde Mental com um trajeto histórico no sentido de progressiva separação e exclusão do transtorno mental do seio das experiências sociais. Embasado no conceito de inconsciência, proposto pelo “pai da psicanálise” Sigmund Freud, acredita-se que os traquejos da vida surgem através do inconsciente assim, lembranças traumáticas, por exemplo, ficam “bloqueadas” na memória de um indivíduo, mas continuam ativas e podem reaparecer em certas circunstâncias. Dessa maneira, entende-se a persistência da depressão entre os jovens sob um contexto multifatorial que pode ser deflagrado por indicativos como a separação familiar, as dificuldades de aprendizagem, os sentimentos de desadaptação ao grupo, a sexualidade, o bullying, a morte ou as doenças.
Ademais, atualmente, cultua-se a felicidade e o sucesso, pessoas em redes sociais declaram a satisfação com a totalidade de suas vidas, no entanto a realidade não é tão perfeita. De acordo com Jean Paul Sartre, quando não tem-se a convicção sobre o que realmente deseja e sente, o indivíduo é induzido a querer o que a sociedade ou o grupo nos inculcam. Lutar pelo êxito profissional, ter fama e poder para ser admirado e amado torna-se uma ilusão. O resultado disso é a ansiedade, o vazio interior, a solidão e pensamentos suicidas, fatores bases da experiência do Existencialismo a qual o filósofo considerava um instrumento capaz de ajudar a superar as angústias e levar à liberdade, fazendo o ser agir de forma autônoma. Acontece que acredita-se que a felicidade deveria ser eterna assim, momentos de tristeza e sofrimentos não são permitidos, devendo buscar soluções na indústria farmacêutica por meio das “pílulas da felicidade”. É sob esse pensamento que um levantamento da IMS Health, empresa de pesquisa, mostrou que em 2016 a venda de antidepressivos e estabilizadores de humor cresceu 18,2% no Brasil.
Urge, portanto, sob a ação de profissionais das áreas de saúde e educação, a readequação de condutas que previnam e tratem a depressão. Por meio do fortalecimento e distribuição do CAPS, visto que, segundo a OMS, sua atuação reduz em 14% o risco de suicídio; tendo atendimento de psicoterapia comportamental e interpessoal, de forma a reduzir o uso de drogas psicossomáticas e sua dependência. Aliado a isso, tem-se a educação de jovens, através de campanhas, cursos e treinamentos, para o bom uso das mídias sociais, bem como a capacitação dos educadores para identificação precoce de sinais.