O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 16/09/2019
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6, que a saúde é um direito assegurado aos cidadãos. Contudo, a banalização da depressão e a pressão causada pelas redes sociais corroboram com o aumento do número de jovens depressivos. Urge, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar e combater esse impasse e suas consequências.
Em primeiro plano, a depressão é uma doença que afeta o nível dos hormônios, como a serotonina, da pessoa e gera sintomas, como a tristeza profunda, que são banalizados e por muitos tratados como uma fase. Conforme o conceito de Habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade absorve e neutraliza uma estrutura que foi colocada à sua realidade, assim tem-se a ideia de que a doença é algo menor e passageiro -o que é falso, pois é algo crônico e que precisa de tratamento. Desse modo, os jovens depressivos não possuem o apoio que precisam, seja da família ou da sociedade, e acabam por não procurarem ajuda psicológica ou psiquiátrica. Como consequência disso, o índice de depressão dessa parcela aumenta, o que leva o Brasil a ser o terceiro país mais deprimido, segundo pesquisa da BioMed Central.
Além disso, a ilusão de vida perfeita que é transmitida pelos usuários nas redes sociais auxiliam a deprimir os indivíduos, pois sofrem por não conseguirem atingir esse ideal ilusório. De acordo com o sociólogo Zigmunt Bauman, trata-se de uma sociedade imagética, ou seja, todas as informações são passadas por imagens e toma-se como verdade. Desse modo, pessoas se martirizam por não alcançarem o patamar que é vendido na internet e entram num ciclo de cobrança pessoal. Em decorrência disso, essa parcela desgasta sua saúde mental e isso corrobora com o aumento da taxa de depressão .
Assim sendo, é necessário tomar medidas capazes de conscientizar a população e atenuar a influência das redes sociais. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas mensais por meio de propagandas nas mídias mais utilizadas, como televisão e internet, com o objetivo de informar a sociedade e criar uma imagem séria a respeito da gravidade da doença. Tange também ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, promover palestras nos núcleos escolares via reuniões com alunos e seus pais para discussão sobre o uso consciente das mídias sociais, com o fito de desconstruir a ilusão de perfeição que é passada pelos usuários. Logo, com a tomada dessas providências, o aumento da depressão entre os jovens será atenuado e, consequentemente, a Constituição será seguida.