O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 09/09/2019

Émile Durkheim, sociólogo francês, afirmava que em uma solidariedade orgânica, para haver harmonia, cada parte do corpo social teria de cumprir sua função, a fim de que não ocorresse uma patologia social. Entretanto, percebe-se que essa tese não vem sendo cumprida, visto que persiste o aumento da depressão entre os jovens no Brasil. Isso acontece uma vez que há não só a negligência do Estado, mas também a baixa atuação das famílias.

Em primeiro lugar, ressalta-se que a negligência estatal corrobora significativamente para a ampliação dos casos de depressão entre os jovens. Essa realidade é constatada seja pela deficiente atenção dada ao assunto, seja pela quantidade insuficiente de postos especializados nesses casos. Além disso, a falta de informação à população contribui para o tardio descobrimento da doença, haja vista que grande parte da sociedade ainda confunde a tristeza profunda com “frescura”, não levando o doente para o hospital. Dessa forma , o esclarecimento sobre o assunto é imprescindível para coibir essas ações.

Outrossim, é importante frisar que a fragilização da instituição familiar dificulta o combate a esse transtorno. Conforme o filósofo polonês Zigmund Bauman, a sociedade pós-moderna é marcada pelo individualismo e fragmentação das relações sociais. Nesse sentido, a falta de diálogo e monitoramento comportamental dos pais para com os filhos, facilita o desenvolvimento de transtornos mentais, uma vez que a pessoa sofre calada, contribuindo para o isolamento social e em casos mais graves o suicídio. Logo, o acompanhamento aliado ao fortalecimento das relações primárias dentro do lar , são indispensáveis para garantir a saúde mental das crianças e adolescentes.

Evidencia-se, portanto, que os casos de depressão entre os jovens precisam ser reduzidos com urgência. Nesse viés,cabe ao Estado, na figura do Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, por meio da maximização de postos especializados em doenças psíquicas e de campanhas esclarecedoras, não só informar sobre como agir em casos suspeitos dessa doença, mas também ajudar a eliminar o pensamento preconceituoso da sociedade e acolher adequadamente às vítimas. Ademais, é necessário que as famílias, mediante o diálogo diariamente e monitoramento dos filhos, estejam mais atentas ao comportamento ,bem como o que eles tem a dizer, com o intuito tanto de minimizar essas ocorrências  quanto de priorizar a valorização da vida.