O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/09/2019
“A arte imita a vida”. Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Aristóteles, pode estar relacionada a diversos aspectos dos dias atuais: séries, filmes e novelas representam em suas cenas a realidade de muitas pessoas ao redor do mundo. Uma dessas obras, a série “Os 13 porquês”, inspirada em um livro e produzida pela Netflix, mostra como os acontecimentos da vida de Hannah, a protagonista, contribuíram para seu suicídio. Hannah, assim como muitos brasileiros, sofria de um distúrbio psicológico que, por certos motivos, aumenta progressivamente na sociedade atual: a depressão.
Posto isso, é preciso identificar quais as possíveis causas de tal epidemia. Uma delas é a carência de objetivos que dão sentido à vida, como sonhos a serem seguidos. Assim, a falta de metas para enfrentar os desafios diários faz com que muitas pessoas adoeçam mentalmente. Um exemplo disso, é o neuropsiquiatra austríaco Viktor Frankl, que baseou-se em sua vivência no campo de concentração nazista para criar sua teoria psicoterapêutica. Ele observou que aqueles que tinham motivos para lutar pela sobrevivência, como família e paixões, suportavam os abusos dos soldados e viviam muito mais tempo do que aqueles sem razões para continuar.
Em segundo lugar, a depressão atinge todas as faixas etárias. De acordo com uma pesquisa divulgada em 2011 pela BMC (BioMed Central), 18,4% dos brasileiros, já passaram por uma crise depressiva durante a vida. Entretanto, é preciso destacar a juventude do país. Apesar da saúde psicológica estar ligada à necessidade de possuir objetivos para viver, a pressão para tal feito é, em contrapartida, uma possível causa do adoecimento emocional. Isso se dá diante das exigências sociais e familiares. A pressão para suprir expectativas (decidir uma profissão e começar uma família, por exemplo) sendo que, muitas vezes, o jovem não está apto para atendê-las, também leva ao desenvolvimento de quadros depressivos. Esses episódios, quando negligenciados e perpetuados, podem levar ao suicídio. Segundo a OMS, 90% dos suicídios poderiam ter sido evitados.
À vista disso, para que sejam tratados os antigos e evitados os novos casos de depressão, é necessário que as prefeituras promovam mais concursos públicos, a fim de selecionar e aumentar a quantidade de psicólogos e psiquiatras para atender à crescente demanda por esses profissionais na rede de saúde pública brasileira. Isso fará com que a população tenha acesso mais rápido à assistência especializada, o que diminui as chances de suicídio. Outrossim, informações a respeito dos transtornos depressivos devem ser veiculadas nos principais meios de comunicação, para que a população reconheça os sintomas e procure ajuda. Com essas medidas, o brasileiro estará cada vez mais distante de ter um trágico fim como Hannah — e muito mais próximo da felicidade e saúde mental.