O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 13/09/2019

A segunda geração do romantismo brasileiro, ao utilizar um eu-lírico pessimista e melancólico, ficou conhecido como o ´´Mal do Século´´. Contudo, hodiernamente, esse termo atribuiu-se a questão da depressão, o qual vem acometendo muitos jovens no Brasil. Nesse sentido, torna-se fulcral analisar os fatores que favorece para esse aumento alarmante, com a intenção de liquidá-los de maneira eficaz.

Mormente, é oportuno destacar que a inoperância estatal contribui intrinsecamente para o impasse. De modo, que o sistema escolar negligencia o atendimento psicológico de qualidade, e em grande parte não há assistência nos setores públicos, o que resulta em dificuldades para o tratamento e diagnóstico preciso dos jovens que vivenciam tais problemas. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), houve um acréscimo de 18,4% dos adolescentes que são vítimas desse mal nos últimos dez anos. Nesse contexto, é notório que a depressão juvenil está diretamente relacionada a lamentável situação do país, logo, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

Outrossim, é válido pontuar, a indolência social em propor diálogos referentes a saúde mental, o que faz com haja uma ignorância em tais âmbitos. Nessa lógica, muitos cidadãos julgam a depressão como uma tristeza momentânea ou ´´falta de fé´´, tonando a doença banal e fazendo com que muitas pessoas não solicitem ajuda por medo de preconceitos. Essa perspectiva esteve presente na Idade Média, visto que, os problemas psíquicos eram tratados por quesitos religiosos, tendo por consequência muitos casos de suicídios na época. Desse modo, deve-se entender melhor o contexto atual para superar as consequências da doença no território nacional.

Portanto, para mudar essa realidade, faz-se necessário que o Ministério da Saúde ofereça a população canais de atendimento nos moldes CVV (Centro de Valorização da Vida), voltados não apenas a momentos de crises, mas também para situações cotidianas, inserindo acompanhamento psicológico de qualidade para aqueles que necessitam, fazendo com que os jovens se sintam apoiados pela sociedade e não tenham receios em buscar tratamento. Ademais, o Ministério da Educação deve investir em palestras e eventos que incentivem o diálogo familiar, por meio de atividades em grupo que tenha por finalidade unir pais e filhos, proporcionando conhecimentos para ambas as partes sobre a relevância de discutir a questão da depressão não só na escola, como também em casa. Assim, os brasileiros terão ótimas condições mentais e o mal do século ficará presente apenas nos romances literários.