O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 17/09/2019
O Romantismo, movimento literário originado no século XVIII, possui sua segunda geração conhecida como “mal do século”, pois faz uso de uma narrativa pessimista, marcada pela dor existencial e sofrimento. Por conseguinte, a depressão também carrega consigo a expressão destacada anteriormente, ilustrando, dessa forma, o quanto essa enfermidade não é exclusiva do século atual, mas recorrente. Sob tal óptica, nota-se que os jovens são os principais alvos desta doença crônica, decorrente da falta de suporte familiar e profissional, além da alta pressão em relação aos estudos, trabalho e vida social, resultando em uma sobrecarga emocional, a qual pode gerar péssimas consequências à saúde mental.
No poema simbolista “Ismália”, o autor brasileiro Alphonsus de Guimaraens retrata uma mulher em um estado de loucura que busca pela morte e a encontra, cometendo suicídio. A depressão é uma doença incapacitante física e emocionalmente, que atinge diversos patamares em diferentes pessoas, mas a maioria sempre busca o finamento como forma de suprir as necessidades do seu “delírio mental”, citado no texto de Guimaraens. Além disso, o descaso familiar faz-se presente quando os responsáveis por esses indivíduos consideram os seguintes sintomas da depressão, tais quais: a falta de disposição, tristeza constante, aparente sensação de insuficiência e baixa autoestima como algo passageiro, que durará apenas por um determinado momento. Pensamentos como esse são resultado de ignorância e falta de informações.
Segundo a OMS, aproximadamente 15% dos jovens na faixa etária entre 15 e 29 anos sofrem de depressão, além de ser a segunda maior causa de morte entre os mesmos. A grande pressão em relação aos estudos, trabalho e vida social podem acarretar em outros distúrbios mentais como ansiedade e ataques de pânico, decorrentes da grande autocobrança, falta de desenvolvimento emocional e medo de não conseguir atingir o patamar imposto pelas pessoas com que convive, além de pensamentos suicidas que resultam, possivelmente, em problemas físicos tal como a automutilação, na busca por uma forma de aliviar a dor emocional.
Em suma, para que os índices de depressão entre os jovens diminuam, faz-se necessário a conscientização das famílias em relação ao assunto, por meio da busca por informações e a divulgação das mesmas através dos veículos midiáticos. Além disso, o Ministério da Educação e o Estado devem promover campanhas nas escolas a respeito do tema, além de disponibilizar atendimento de profissionais da área como psicólogos e terapeutas, resultando em uma juventude mentalmente saudável.