O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 03/10/2019

Promulgada em 1948 pela ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Entretanto, em face dos preocupantes índices de depressão entre os jovens brasileiros, percebe-se que tais direitos não têm sido resguardados. Sendo assim, cabe avaliar os fatores que desencadeiam tal situação, como os fatores sociais e individuais, para que então possam ser superados.

Primeiramente, o sociólogo francês Émile Durkhein explica o “Fato Social” como a influência que os instrumentos sociais têm sobre o modo de pensar e agir dos indivíduos. Sob essa perspectiva, a depressão por vezes está ligada à pressão externa vivida pelos jovens em um contexto de decisão acerca de seus futuros profissionais, ao mesmo passo que a concorrência para inserção em cursos superiores cresce a cada dia e exige dos jovens uma busca frenética por qualificação, o que gera um quadro preocupante de ansiedade e o ideal de que não se é suficiente ou bom o bastante. Sendo assim, essa doença não deve ser tratada com um fato individual, mas coletivo, para que seja combatida.

Aliado à isso, o excesso de dependência do ambiente virtual também é um agravante do caso. Vale ressaltar que a internet trouxe a facilidade de satisfazer quase que qualquer desejo através dela, e a geração jovem atual é a primeira a lidar com essa comodidade desde a infância. Entretanto, a mesma causou uma fragilidade das relações interpessoais, haja vista a frequência com que as pessoas têm realizado suas necessidade mais básicas “online”, como fazer compras, escolher parceiros amorosos, estudar, aprender novas línguas e habilidades, sem que haja nenhum contato com pessoas reias. Por conseguinte, tendo em vista a importância dessas relações para a saúde mental, o índice de depressão se torna algo muito mais intenso.

Destarte, para que a incidência de jovens depressivos seja superada, urge que o Ministério da Educação desenvolva palestras nas instituições de ensino e  em suas redes sociais, ministradas por profissionais psicólogos previamente capacitados para expor a necessidade de se reduzir o uso da internet, os efeitos de sua dependência e o benefícios que as relações pessoas físicas podem proporcionar à saúde. Ademais, é importante que as instituições de ensino estabeleçam contato mensal com os responsáveis de alunos, sobretudo os que estão se preparando para as seleções de vestibulares e estão sob intensa pressão, de maneira a conscientizá-los sobre o importante papel que têm de apoiar seus jovens a seguirem o caminho que decidirem profissionalmente, entendendo as limitações e o tempo de cada um. Dessa forma, a depressão entre os jovens do Brasil será contida e os direitos humanos, resguardados.