O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/09/2019

A obra literária Alemã “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, publicada no século XVIII por Johann Goethe, retrata a vida de um adolescente que encontra na suspensão da vida uma solução para suas dores e frustrações amorosas. Analogamente, a temática da infelicidade não está distante da realidade brasileira, visto que em um cenário de constante exposição midiática e omissão das instituições sociais, a falta de um lugar no qual o jovem possa se definir e solidificar como sujeito revela um problema de saúde pública o qual deve ser combatido.

Em primeira análise, faz-se necessário compreender como a padronização imposta pela sociedade Pós-moderna ocasiona entraves ao equilíbrio e saúde psicossocial do jovem brasileiro. É fato que, com o advento das redes sociais e a exposição desenfreada da rotina de seus usuários, criou-se uma ditadura da felicidade na qual sentimentos como angústia e tristeza são repelidos em detrimento de publicações que nem sempre correspondem à realidade. Nesse viés, segundo estudo desenvolvido pela The Royal Society for Public Health, as redes sociais agravam tanto os riscos de doenças ligadas à autoestima, quanto a transtornos alimentares, sendo o Instagram o aplicativo avaliado como o mais nocivo à mente jovem.

Outrossim, é evidente que a postura dos agentes de conscientização e educação é questionável. Conforme o pensamento do sociólogo francês Émile Durkheim, o corpo social, tal qual um organismo, deve interagir de forma coesa e funcional. Não obstante, no Brasil, em que cerca de 56% dos alunos entrevistados pelo Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), apresentam problemas relacionados ao estresse e depressão, pouca ou nenhuma assistência é oferecida pelas instituições educacionais. Isso se comprova tanto pela falta de investimentos em recursos pedagógicos, tanto pela ausência de profissionais que ofereçam suporte psicológico a crianças e adolescentes.

Considerando-se os aspectos mencionados, torna-se claro, portanto, a necessidade de medidas para combater essa realidade. Desse modo, é dever do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, aumentar a oferta de vagas para profissionais especialistas em saúde mental, no intuito de aperfeiçoar diagnósticos e tratamento gratuito e de qualidade a crianças e jovens de todo país. Com isso, é fundamental que o Ministério da Educação disponibilize recursos à capacitação de escolas e educadores, ao mesmo tempo que providencie psicopedagogos e psicólogos às instituições para que acompanhem e orientem os alunos. Por fim, cabe à mídia, como formadora de opinião, promover campanhas em canais televisivos abertos e eventos temáticos, para que despertem a sensibilidade social acerca do tema e combatam estigmas, de modo a propagar valores como respeito e empatia.