O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 26/09/2019
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é um conjunto de regras, imposições e expectativas externas impostas ao ser humano pela sociedade em que vive. Nesse contexto, a era pós moderna, amplamente estudada pelo filósofo Zygmunt Bauman, fomenta a existência desse fenômeno, e explica, em grande parte, os fatores causais do aumento exponencial do número de casos de jovens com depressão no Brasil. Essa doença, caracterizada por um distúrbio químico cerebral, é uma condição originada por eventos traumáticos pessoais que, nessa conjuntura, é a citada coerção social exercida sobre os indivíduos. Por isso, para mitigar esse mal, ações têm de ser tomadas.
Em primeiro lugar, é indispensável analisar as razões que ocasionam o quadro de depressão ao homem na contemporaneidade. No Brasil, a histórica e crescente concentração populacional nas cidades torna a vida em sociedade extremamente competitiva e estressante. Nesse viés, o cidadão é pressionado a ter uma formação que o possibilite ter um trabalho bem remunerado para poder obter uma boa qualidade de vida. Aliado a isso estão os supracitados fatos sociais que, segundo Durkheim, por serem exteriores, geram sobre a pessoa a expectativa de correspondê-lo. Desse modo, a mente humana, por lidar com diversas obrigações, adoece e se torna depressiva, o que corrobora a premência do encontro de soluções para a reversão desse panorama.
É imprescindível expor, também, a gravidade do negligenciamento da depressão para a saúde individual. Existem, de acordo com a OMS - Organização Mundial da Saúde -, três estágios da doença. Esses níveis patológicos são evolutivos e podem ser divididos em “leve depressão” até o completo isolamento pessoal, que pode causar o suicídio do enfermo. Entretanto, vê-se no Brasil, por uma questão cultural enraizada na consciência coletiva de relativizar o mal estar psicológico, o oposto do necessário para reverter os malefícios dessa moléstia. Portanto, é necessário, de maneira emergencial, um ponto de inflexão nesse cenário.
Dessarte, para reduzir o crescimento dessa condição neurológica entre os jovens, urge a criação, pelo Governo Federal, por meio de recursos do Sistema Único de Saúde, de campanhas mensais de atendimentos psicológicos e neurológicos gratuitos nos hospitais federais brasileiros, com a finalidade de tratar e diagnosticar possíveis doentes na idade de 18 a 24 anos. Outrossim, é dever do Ministério da Saúde, aliado com emissoras de rádio e televisão, criar peças publicitárias que incentivem os indivíduos dessa faixa etária a procurarem essas unidades nos dias da campanha para que possam obter cuidados médicos, com o objetivo de aumentar a taxa de atendidos por esse programa. Assim, haverá meios de conter o aumento de deprimidos no país.