O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/09/2019
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à vida, saúde e bem-estar coletivo. Entretanto, fatores como a pressão social e a desinformação acerca da saúde mental são alguns dos diversos responsáveis pela depressão, doença que impede a plena execução desse direito. Tal assunto, por colocar em xeque a qualidade de vida dos cidadãos, deve ser encarado como grave problema de saúde pública.
Primeiramente, é necessário analisar a condição em que ocorre tal fenômeno. Durante a geração romântica, escritores como Álvares de Azevedo associaram fatores poéticos à depressão, o que se popularizou no imaginário nacional. Esse cenário, associado ao desconhecimento por parte dos indivíduos, corrobora para a consideração do enfermo como mera frescura ou indisposição passageira. Em virtude disso, pessoas detentoras da patologia não expõem seus sintomas e não procuram ajuda, o que leva a um quadro potencializado de angústia, podendo culminar em suicídios. Como reflexo a uma população ignorante frente aos cuidados com a saúde mental, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram a realidade onde 11.5 milhões de brasileiros são depressivos. Assim sendo, enquanto houver negligência social, o Brasil conviverá com o Mal do Século.
Outrossim, está a intensa demanda por produtividade e resultados da sociedade de consumo. Conforme Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, as corporações exigem cada vez mais de seus funcionários, a mídia vende padrões estéticos e utópicos para todas as esferas sociais e o ambiente acadêmico leva os estudantes a buscarem sempre por maiores notas, tudo como forma de serem valorizados, o que intensifica o abalo mental dos indivíduos. Essa realidade justifica a estimativa da OMS, que prevê a depressão como a doença mais incapacitante do planeta até 2020, carecendo sérias intervenções.
Urge, portanto, a necessidade do combate à depressão no Brasil. Nesse intuito, o Ministério da Comunicação, em parceria com o da Saúde, deve incentivar, por meio de campanhas publicitárias, o debate acerca da depressão, usando da internet, televisão e rádio para alcançar os mais variados públicos. Ademais, visando a prevenção da depressão, é necessário que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, insira nas escolas e universidades, por meio de adaptações ao material didático, a disciplina de desenvolvimento de habilidades socio-emocionais, já presente em algumas instituições privadas. A articulação dessa pluralidade é impreterível para o aproveitamento ideal dos direitos assegurados pela ONU, formando assim uma sociedade mais sadia.