O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/10/2019

Durante a era medieval, uma doença trazida por ratos em navios comerciantes se alastrou de forma veemente pela Europa, dizimando cerca de um terço de sua população. Posteriormente, a pandemia conhecida como Peste Negra causou desordens sociais e religiosas, visto que suas causas foram atribuídas a motivos divinos. Hodiernamente, o Brasil é acometido por uma “peste” de proporções cada vez mais semelhantes à pandemia vista na Idade Média: a depressão, uma vez que a intensa pressão social vivida no século XXI, aliada à falta de atenção governamental, corrobora para a intensificação de quadros depressivos.

A princípio, é importante destacar a intensa pressão vivida constantemente pelo indivíduo no mundo globalizado. A partir da Revolução Industrial, a aparição de novas tecnologia - como os smartphones, por exemplo - tem intensificado a dinâmica das relações vividas no mundo hodierno. Constantemente, a busca por aprovação social traz consigo a frustração em relação ao insucesso da tentativa de seguir um padrão de prosperidade pessoal, imposto pelas novas relações do nosso corpo social. Essa padronização pode ser observada em redes sociais como o “Facebook”, em que o número de curtidas nas postagens indica o grau de aprovação dos expectadores para ela.

Ademais, vale salientar a falta de atenção governamental como impulsionador do problema. Sendo o Brasil um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, seria racional acreditar que a saúde deveria ser garantida a todos - como especifica o texto da declaração. Porém, dados da Organização Mundial da Saúde revelam que o número de quadros depressivos aumentou cerca de 705% em apenas 16 anos. Faz-se necessário, assim, a dissolução dessa conjuntura, sob a ótica do poeta irlandês Oscar Wilde; o qual afirma que a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou uma nação.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Nesse sentido, é imprescindível que o Ministério da Saúde promova um maior suporte às pessoas em situação de depressão, mediante a alocação de pelo menos um profissional de psicologia em cada instituição de ensino pública e privada, para atender a parcela de jovens mais vulneráveis a essa enfermidade. Esses profissionais, por sua vez, devem ser orientados a auxiliar os pacientes a lidar com as transformações do mundo moderno. Tal ação visa promover a saúde mental integral dos jovens e combater a nova “peste” do século XXI.