O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 04/10/2019

A adolescência é uma das fases mais complicadas na vida de qualquer pessoa. As dúvidas sobre si, as mudanças hormonais, as cobranças escolares, o medo acompanhado da preocupação de ser improdutivo no futuro que, geralmente, é imposto pelos pais - ou qualquer outro responsável -, acabam gerando no adolescente uma necessidade de se cobrar cada vez mais em tudo que faz, pondo o mesmo em situações de responsabilidade extremamente ampla. Concomitantemente, em consequência dos fatores supracitados, o jovem acaba se sobrecarregando, o que vem tornando o mesmo um alvo principal da depressão.

Dentro desse contexto, é relevante trazer um trecho do livro ‘‘O demônio do meio dia’’, onde Andrew Solomon disse: o oposto da depressão não é a felicidade, mas a vitalidade. Com isso, o autor que também já foi uma das vítimas da doença quis explicitar que a personalidade de uma pessoa com depressão não é necessariamente e unicamente a tristeza, mas sim a ausência de vitalidade, ânimo e entusiasmo para realizar suas atividades e obrigações cotidianas. Esse esteriótipo criado pela sociedade contribui para que os diversos sintomas da doença tornem-se imperceptíveis, fato que pode resultar em problemas irreversíveis, como o suicídio.

Embora o Brasil conte com a ligação gratuita para o 188, recurso disponibilizado pela associação Centro de valorização da vida (CVV), que também conta com postos espalhados por várias capitais e cidades do interior do país e atendimentos via chat e e-mail, com o intuito de ajudar pessoas portadoras da depressão vinte e quatro horas por dia e em qualquer lugar, além de o mês de setembro ser direcionado a prevenção do suicídio, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, dado que torna evidente a necessidade de uma atenção maior direcionada a tal problema.

Em face disso, visto que os adolescentes vem sendo o principal alvo da doença, é imprescindível que esse assunto seja abordado pelos pais e professores tanto no ensino básico (infantil, fundamental e médio) quanto no superior e até no pós superior, promovendo palestras adaptadas a cada faixa etária  que possam explicar os pormenores do assunto discutido evitando que futuramente o indivíduo desenvolva a doença e não saiba como lidar. Em suma, é indubitável a necessidade do governo disponibilizar psicólogos dentro das escolas, que se envolvam diretamente na vida do aluno e possam realizar debates onde os mesmos poderão relatar os seus problemas, amenizando assim o isolamento frequente dessas pessoas. Além disso o governo através de noticiários e da internet, pode expandir ainda mais a importância de se informar sobre a doença.