O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 06/10/2019
“O Brasil não tem povo, tem público”, disse Lima Barreto, arguto crítico do projeto republicano brasileiro. Sob esse viés, pode-se afirmar que há muito alarde, mas pouco se faz para solucionar questões urgentes, como o aumento da depressão entre os jovens do Brasil. Nesse contexto, faz-se necessário combater essa doença nesse grupo etário, cujos principais empecilhos dizem respeito à solidão moderna e à baixa cobertura médica.
A priori, essa circunstância precisa ser analisada por um prisma social. De tal maneira, compreende-se que a solidão do mundo moderno, exposta pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman no livro “Amor Líquido”, estimula o aumento da depressão entre os jovens. Tal realidade é ratificada na série “Os 13 Porquês”, a qual evidencia uma jovem depressiva e solitária frente o mundo atual.
Outrossim, é importante uma análise diacrônica do tema. De tal maneira, compreende-se que a baixa cobertura médica é reflexo de um processo histórico. Ou seja, o crescimento populacional das últimas décadas não foi acompanhado pela construção de hospitais, algo que limitou o atendimento médico disponível aos jovens e estimulou o aumento da depressão nesse grupo. Essa realidade é confirmada no filme “Cidade de Deus”, o qual expõe uma comunidade sem acesso efetivo ao sistema de saúde.
Diante dos fatos expostos, medidas precisam ser tomadas, a fim de combater o aumento da depressão entre os jovens. Para isso, o poder público deve construir unidades de saúde pelo país que forneçam atendimento psicológico especializado na juventude, com o objetivo de reduzir a baixa cobertura médica enfrentada pelos jovens depressivos. Somente mediante a adoção dessas medidas, o Brasil deixará de ter público para, enfim, ter povo.