O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/10/2019
Prevenção e tratamento
A depressão é uma doença que cresceu de maneira vertiginosa nos últimos anos, por conseguinte a OMS (Organização Mundial da Saúde) passou a considerá-la o “mal do século XXI”. A principal causa desse crescimento é a disseminação de tecnologias da informação a grande parte da população, pois o uso indiscriminado de tais ferramentas, principalmente pelos mais jovens, faz com que eles desenvolvam transtornos psicológicos. Portanto, uma vez que o Brasil é um dos maiores consumidores de tecnologia no mundo, é imprescindível que o Governo Federal invista em prevenção e tratamento da depressão.
Em função do aumento do consumo tecnológico, é comum ver adolescentes que ficam o tempo todo conectados à internet, principalmente pelo celular. No entanto, o uso intenso do aparelho pode gerar nomofobia, ou seja, a condição em que uma pessoa não consegue se desconectar do mundo virtual. Ademais, um estudo da Universidade da Califórnia indica que o vício em tecnologias favorece o desenvolvimento de doenças psicológicas, sendo ele a principal causa do recente crescimento da depressão. Para ilustrar, o Brasil tem, segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), mais de um “smartphone” por habitante, e isso, aliado à ausência de campanhas de educação digital, faz com que a juventude brasileira seja a mais depressiva da América Latina, de acordo com a OMS.
Logo, muitas pessoas que têm depressão buscam ajuda na saúde pública do país. Todavia, os CAPS (Centros de Atendimento Psicossocial), órgãos responsáveis pelo tratamento da população depressiva, vêm enfrentando dificuldades desde o congelamento orçamentário causado pela PEC 55. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), essa medida de austeridade causa uma perda de aproximadamente 350 milhões de reais por ano para a saúde. Assim, muitos daqueles que necessitam de ajuda para combater a depressão acabam sem conseguir atendimento adequado e, em casos extremos, cometem suicídio.
Destarte, é essencial que o Estado tome duas medidas. A primeira é estabelecer uma parceria entre o Ministério da Educação e o Instituto Delete, referência no combate à nomofobia, e desenvolver uma cartilha que oriente a realização de palestras e debates nas escolas públicas, com o intuito de orientar e conscientizar os jovens quanto ao uso exagerado das tecnologias, de modo a evitar o desenvolvimento de depressão. A segunda é criar em todas as universidades federais de medicina e psicologia um centro de atendimento especializado para pessoas depressivas, para que os CAPS não fiquem sobrecarregados e mais doentes tenham condições dignas de tratamento.