O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/10/2019

Há anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) entende que não há saúde sem saúde mental. Indo além, a falta da última pode custar até a própria vida. A afirmação baseia-se no entendimento da própria OMS de que nove a cada dez suicídios poderiam ser evitados, bastando tratar o quadro psiquiátrico daquele que comete o ato. Nesse contexto, houve progresso no manejo da depressão - uma doença mental epidêmica no Brasil - à medida em que o diagnóstico do quadro consegue, na maioria dos casos, ser feito de forma acurada e existem diversas opções de tratamento. Entretanto, tais avanços médicos não foram suficientes para reverter a tendência crescente do número de casos entre jovens no país, por se tratar de um problema cujas causas antecedem o componente fisiológico.       Atualmente, sabe-se que a depressão é um distúrbio causado pela presença de certos componentes genéticos aliados a eventos e ou condições de vida que atuem como gatilhos. Em paralelo, vale resgatar o conceito de modernidade líquida de Bauman, a partir do qual vê-se que os jovens do século XXI estão inseridos em um novo paradigma de vida em sociedade, que é ultra dinâmico. Ao resgatá-lo, então, percebe-se que a juventude está rodeada pelos supramencionados gatilhos para a depressão. Tamanha fluidez e incerteza no campo das relações de trabalho e interpessoais, por exemplo, gera angústia e medo, o que contribui para desencadear o quadro depressivo.

Outro componente social que contribui para a prevalência da depressão entre os jovens é a questão do estigma e preconceito. De maneira equivocada - já que a depressão é uma doença como qualquer outra, com causas fisiológicas tangíveis e, em boa parte, conhecidas - muitos rotulam pacientes depressivos como “preguiçosos” ou “sem força de vontade”. Isso afeta sobretudo os jovens, que, em geral, possuem maior necessidade de aprovação em seus grupos e status social. Desse modo, acabam não procurando ajuda médica.

Conclui-se, portanto, que os avanços científicos não serão suficientes para reverter o aumento da depressão entre jovens, caso não haja uma mudança do paradigma social. Com esta finalidade, os assuntos saúde mental e depressão devem ser ensinados por todas as escolas, por meio de exposições em sala de aula e promoção de debates, para que os alunos possam tirar dúvidas e expressar como percebem o assunto. Por se tratar de um ambiente de aprendizado e formação, é possível abordar o tema sem estigmas e trazer o ponto de vista da prevenção universal. Ademais, intervenções precoces são menos complexas, menos medicamentosas e podem trazer benefícios para o rendimento do estudante.