O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 21/10/2019
Pascal Bruckner, pensador e filósofo francês, em seu livro ‘‘Ensaio sobre a felicidade’’, ressalta o imperativo que é incutido às pessoas de que devem procurar a felicidade a todo custo, o que define a chamada ‘‘Euforia perpétua’’. No entanto, como consequência dessa busca incessante, ocorre algo contraproducente: na tentativa de procurar a felicidade como único fim, os jovens, infelizmente, acabam desenvolvendo diversos desvios psiquiátricos - como a depressão, primordialmente. Diante disso, é imprescindível analisar como o individualismo exacerbado e a constante pressão da sociedade de mercado influenciam na problemática em questão, a fim de mitigá-los de maneira eficaz.
Em verdade, é relevante enfatizar o egoísmo pós-moderno como causador da depressão entre jovens. Isso porque, segundo o sociólogo Gilles Lipovetsky, na obra ‘‘A era do Vazio’’, as pessoas, na hipermodernidade, preferem o egoísmo à alteridade, cessando e criando relações interpessoais, à distância de apenas um ‘’toque’’, isto é, tudo via celular. Infelizmente, porém, tais condutas culminam no oposto disso: já fora analisado, no século XVIII, por Émille Durkheim, sociólogo, que, quanto maior forem as crenças e palavras trocadas entre indivíduos, maior o grau de solideriedade e, portanto, menor a porcentagem de doenças psiquiátricas. Com efeito, entende-se que a característica egoísta intrínseca à hipermodernidade apenas destroi a ideia de cidadania - representado pelo cerceamento de jovens.
Somado-se a isso, a idealização capitalista é responsável pela depressão entre jovens no cenário brasileiro. Isso ocorre porque, em uma sociedade onde a alta demanda por resultados leva as pessoas à exaustão, a depressão é um resultado, muitas vezes, inevitável, fruto de uma rotina caótica que alimenta ciclicamente a maquina do mercado libero-capitalista. A par disso, Karl Marx, na obra ‘‘O capital’’, revela que, no capitalismo, os bens, ao serem fetichizados, passam a assumir qualidades que vão além da materialidade, ou seja, adquirem valor simbólico. Em outros termos, um aparelho celular de luxo passa a oferecer maior valorização a um indivíduo do que seu comportamento ou contribuição efetiva ao corpo social. Em decorrência disso, o jovem, moldado pela Indústria Propagandista, entra num ciclo vicioso: utiliza de todos os meios possíveis para obter tais produtos e torna-se depressivo.
Infere-se, portanto, que a depressão entre jovens no Brasil é fruto da ideologia capitalista atrelado ao egoísmo e que deve ser mitigado. Em razão disso, o governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, deve promover palestras em escolas, por meio de verba financeira advinda de impostos, com a participação de psicólogos que mostrem os indícios do começo de um processo depressivo, a fim de interrompê-los a tempo. Dessa maneira, a realidade, tal qual comentada por Bruckner, não vir-se-á à tona e a Euforia perpétua será apenas uma ocorrência isolada.