O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 21/10/2019

Durante o século XIX,a segunda geração romântica no Brasil foi marcada por poetas que construíam seus textos alicerçados em pessimismo,em melancolia e na ausência de alegria em viver.Entretanto,essas características estão cada vez mais presentes na contemporaneidade,fato que permite definir a depressão como o mal do século.Diante disso,é preciso analisar esse processo de adoecimento humano desinente da sua relação com o trabalho e com as outras pessoas.

É válido ressaltar,a princípio,que a população hodierna vive em uma conjuntura capitalista de superprodução e superatividade,o que implica esgotamento emocional,exaustão e estresse-fatores determinantes para desencadear a depressão.Nesse viés,Sigmund Freud,pai da psicanálise,desenvolveu o conceito de ‘‘cultura do sucesso’’,segundo o qual o indivíduo moderno deve ter êxito em todas as tarefas que se propõe a fazer,e essa imposição seria capaz de subjugá-lo ao mal-estar da modernidade-a exemplo dos transtornos depressivos.Desse modo,é notório que essa busca frustrada pelo triunfo,como Freud descreveu,é impulsionada pelo mercado de trabalho cada vez mais competitivo e que exige alta performance dos indivíduos.Dessa maneira,esse lamentável cenário favorece o surgimento de doenças psicossomáticas,como a depressão,uma vez que a busca constante por bons resultados é valorizada-e exigida-em detrimento do bem-estar físico e mental.

Em consonância a isso,para o filósofo Byung-Chul Han,vive-se na era das patologias neuronais decorrente da relação dos sujeitos com a ‘‘sociedade do desempenho’’,caracterizada pela ‘‘multitastasking’’.Dessa forma,o homem se mantém multi atarefado e conectado ao trabalho-devido ao avanço tecnológico e à cobrança de eficiência-,em total dissonância com os valores humanistas.Isso ocorre pois o bem viver é substituído pelas preocupações com o sobreviver à rotina exaustiva de trabalho,de estudo e de cobranças.Então,falta tempo para conhecer o outro,para descansar,para aprender com a alteridade e ter lazer.Logo,é evidente que esse panorama propicia o individualismo e enfraquece as relações interpessoais,o que causa solidão e vazio existencial,mantendo as mazelas do romantismo e os casos de depressão.

Cabe,portanto,ao Ministério do Trabalho,em parceria com as mídias-televisivas e cibernéticas-,a criação de campanhas educativas que debatam a importância da saúde mental dos brasileiros.Estas devem ocorrer por meio de palestras com psiquiatras e psicólogos que debatam,focados para empregadores e para empregados,a necessidade de ter vínculos pessoais,de ter lazer,de permitir-se falhar e de descansar.Essa ação terá a finalidade de conciliar sucesso e bem-estar mental,além de minimizar a solidão das pessoas,o que poderá mudar o contexto da depressão como o mal do século.