O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 22/10/2019
Em seu ensaio filosófico, “O mito de Sísifo”, Albert Camus introduz a filosofia do absurdo, mergulhada no mito clássico do personagem Sísifo, condenado eternamente a tarefa de rolar um rochedo até o cume de uma montanha. A atitude impassível de Sisífo, diante dessa falta de esperança e significado, contempla seu simbolismo na contemporaneidade ao constatar um grande óbice no Brasil: índices alarmantes de depressão entre os jovens - sinal do quanto a vida parece sem sentido ou, segundo o filósofo, absurda. Sua continuidade deve-se tanto pela padronização social, quanto à omissão governamental.
É relevante enfatizar, em primeira análise, que a depressão entre os jovens é herança do”. Isso porque do ponto de partida do pensamento de Martin Heidegger, principal representante alemão da filosofia existencialista, há um problema no sentido do ser, que abordando a questão tomando como exemplo o ser humano, esse impasse é especialmente medido por uma vida inautêntica, isto é, grande parte dos jovens estão se deixando levar pela maioria, não compreendendo sua capacidade de ser, de pensar, de viver. Em decorrência dessa propensão de submeter seu “ser autêntico” ao “efeito manada” pressupõe vários sentimentos, como a baixa autoestima desanimo, bem como, falta de autoconfiança
Atrelado a isso, é imperioso salientar que a negligência do Poder Público é responsável pelo cenário caótico da depressão entre essa parcela no Brasil. Isso ocorre porque na concepção de que “tudo que é legal é legitimo”, do filosofo e jurista austríaco, Hans Kelsen, em sua obra “Teoria Pura do Direito”, seria indissociável, para alcançar a legitimidade democrática, que se faça valido, dentre os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988, o Direito à Saúde. Obstante disso, segundo o levantamento da OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde – embora existam tratamentos eficazes conhecidos para depressão, menos da metade das pessoas afetadas recebe tais tratamentos. Tal fato revela a natureza paradoxal da política brasileira, à vista que o direito a saúde mental, na prática, tenha se mostrado um direito relegado ao segundo plano. Consequentemente, o problema se torna ainda mais complexo, quando é frutado pela falta de recursos, profissionais treinados que, no fim das contas, acaba deixando a situação de “mal a pior”.