O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 24/10/2019
No século XIX, Goethe retrata em seu livro “Os sofrimentos do jovem Wether” o sofrimento do protagonista que encontra no suicídio a cura para as dores de um amor não correspondido. Fora da ficção, a realidade do mundo contemporâneo não é diferente, pois com a evolução da sociedade, os indivíduos vêm sendo cada vez mais cobrados a mostrar resultados. Tais cobranças proporcionaram espaço para que os casos de depressão e suicídio tenham aumentado absurdamente, inclusive no Brasil - segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o país registrou 11,5 milhões de casos de depressão em 2015-.
Diante do cenário atual dos indivíduos, bem como as cobranças, encaixam-se os estudos do sociólogo Zygmunt Bauman a respeito da sociedade, e exclusivamente sobre o sujeito líquido, onde o estudioso destaca que as mídias sociais e as novas tecnologias da atualidade acabam por formar indivíduos sem identidade nata; sendo moldados pelos paradigmas e desejos da sociedade. Trazendo tal pensamento para os principais impasses a respeito da depressão, destacam-se os episódios de bullying muitas vezes gerados pela constante estereotiparão do indivíduo, que tenta ditar como deve ser sua aparência ou modo de vida ideal. Quando tal desejo não é alcançado, recai sobre a maioria das pessoas uma intensa frustração que muitas vezes, desencadeia a depressão.
Há de atentar também para as consequências geradas pela depressão e por suas causas, como as mídias sociais que vêm causando o esfriamento nas relações interpessoais dos sujeitos fora do mundo virtual, devido principalmente à superficialidade de tais “amizades”, gerando sentimentos de solidão ao desligar dos aparelhos. Ademais, abusos e casos de violências físicas ou verbais, podem gerar traumas pessoais e consequentemente, desencadear ou agravar a doença em determinados períodos da vida do indivíduo.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas a fim de se solucionar as causas que levam à depressão; a começar pelo modo que a população trata a doença e os sujeitos que sofrem com ela, extinguindo o tabu que refere a ela como frescura ou meio de chamar atenção, procurando entender quão séria é a patologia através de palestras oferecidas pelo governo, que objetivem ampliar o conhecimento de todos a respeito do assunto. Ademais o Ministério da Educação, juntamente com as escolas, deve realizar realizar campanhas sobre a valorização da vida para todas as faixas etárias, principalmente entre os jovens em diversas épocas do ano, não se restringindo somente ao Setembro Amarelo, com a finalidade de ajudá-los a identificar a doença, como também oferecer apoio a eles juntamente com profissionais como psicólogos presentes também no ambiente escolar.