O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 25/10/2019
No filme americano “As vantagens de ser invisível”, expõe-se um contexto ficcional onde o protagonista da trama, o jovem Charlie, em meio à considerável turbulência do período da adolescência, é acometido por um quadro depressivo, ressaltando-se, ainda, as dificuldades da família e dos amigos para lidarem com a doença e suas implicações. Fora da ficção, a realidade do Brasil evidencia que a busca por padrões distorcidos de sucesso e desempenho, aliada a pouca compreensão da sociedade sobre a doença, são responsáveis pela disseminação desse transtorno mental grave perante a juventude. Logo, sob esses aspectos, considerando a relevância do tema, urge do Estado e da sociedade enfrentar o problema.
Em primeira análise, a sociedade moderna, em meio a busca incessante pelo sucesso precoce, proporcionou o crescimento de transtornos psíquicos que se reforçam em momentos inerentes à juventude, como crises de autoestima, insegurança e necessidade de autoafirmação. Nesse sentido, segundo o filósofo sul-coreano Byung Chul Han, vivenciamos uma sociedade marcada pelo desempenho, que supervaloriza a hiperatividade e que não está atenta para as consequências dessa concepção, que aponta para o isolamento, exaustão e desenvolvimento de doenças. Logo, é necessário que o Estado e a sociedade se mobilizem em busca da reconstrução do conceito de sucesso, ressaltando as peculiaridades da juventude e a importância de uma vivência humanizada dessa fase da vida.
Em segunda análise, embora seja inconteste que a depressão é uma doença grave, é fato que o Brasil ainda está imerso em preconceitos, que se respaldam em carências educacionais históricas, dificultando o diagnóstico e enfrentamento do problema. Ademais, segundo o filosofo Émile Durkheim, o indivíduo só é capaz de se posicionar socialmente na medida em que compreender o contexto em que está inserido. Assim, é necessário que o Estado, na condição de protagonista social, reconheça que a educação é a melhor ferramenta para superação dos preconceitos e que o enfrentamento da depressão em face da juventude exige instrução e participação das famílias, educadores e toda comunidade.
Infere-se, portanto, a necessidade de uma nova abordagem ao tema. Assim, caberia ao Estado, numa ação coordenada pelos Ministérios da Educação e Saúde, realizar, nas escolas e perante toda a comunidade, debates e palestras, com a participação de psicólogos e médicos, objetivando desconstruir a distorcida necessidade de sucesso precoce, bem como da importância em buscar apoio familiar e institucional diante dos problemas da juventude. Assim, contando com a participação do Estado e da comunidade, pela via da educação, realidades como a de Charlie ficarão só no cinema.