O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 25/10/2019
Herbert McLuhan, filósofo canadense, propôs o conceito de Aldeia Global que consiste no encurtamento das distâncias devido ao avanço tecnológico, transformando a sociedade mundial em uma aldeia. Fazendo alusão à esse princípio, infere dizer que essa redução causa a aproximação da população mundial, mas também, o distanciamento das relações sociais físicas no cotidiano. Acrescido a isso, a alta instabilidade econômica brasileira e a pressão nos jovens para se tornarem bem sucedidos, acarreta na intensificação da depressão.
Em primeira instância, cabe estabelecer, por um viés analítico que, para o inglês Pierre Lévy, percursor da sociologia digital, a cibercultura veio para mudar a forma de se interagir socialmente. É fato que a depressão não uma doença exclusiva do século XXI, ela acompanha a humanidade por toda a sua história e até fatores genéticos podem aumentar a predisposição à doença.Porém, com o advento revolução cibernética as relações pessoais se tornaram frias e apáticas, fazendo com que as pessoas se distanciassem socialmente, causando um isolamento pessoal, tornando assim, essa mudança um dos principais fatores para o aumento da doença.
Ademais no contexto nacional, considera-se que o pais enfrenta mais uma de suas inúmeras crises econômicas o que emperra e adia questões de empregabilidade, ocasionando aumento na competitividade do setor trabalhista e das universidades. Essa pressão, acrescida do distanciamento das relações familiares e amigáveis, leva a juventude brasileira ao seu limite, pois as empresas contratam os mais especializados e experientes, assim, o concorrente com maior nível intelectual e participação em programas de extensão será o escolhido. Essa competição promovida pelo ambiente de trabalho, coloca a mente humana no seu extremo, fazendo com que isso acarrete em problemas posteriores, como a depressão. Visto que, pelo estudo realizado, em 2011, pela BioMed Central o país se encontra na terceira posição de população mais deprimida.
Fica claro, portanto, que medidas urgem no contexto das novas relações sociais e empregabilidade no país. Por isso, as universidades e escolas do Brasil devem investir em programas de integração como rodas de conversas e aulas fora do modelo tradicional, para que os jovens consigam se socializar e acalmar a mente. Por outro lado, cabe à secretaria do trabalho dos estados, em parceria com a união, coordenar políticas para oportunizar mais empregos e experiência para os jovens, por meio de programas de primeiro emprego e núcleos de startups, a fim de levar acesso e oportunidade. Desse modo, a sociedade se integra e ocorre a diminuição da competitividade no ambiente escolar e empregatício.