O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 25/10/2019

No século XVIII, o iluminista Voltaire,em ‘‘Cândido ou Otimismo’’,promovera profunda ruptura com a filosofia romântica de Leibniz ao ironizar a compreensão de que se vivia no melhor dos mundos possíveis.Contemporaneamente,o panorama de negligência estatal e inércia da sociedade parece definitivamente legitimar as ideias protagonizadas pelo pensador francês.Com efeito, compreender e transformar o complexo paradigma de aumento da depressão jovial no Brasil,mostra-se um afazer de indubitável relevância.

Em uma primeira perspectiva,o crescimento dos índices depressivos no país ergue-se como uma realidade em decorrência da inabilidade governamental.Isso porque o Estado secundariza causas sociais que não se mostrem úteis ao fisiologismo de sua agenda,visto que,acastelado pelos seus governantes,ocorre a priorização de gastos em benefício próprio,como salários exorbitantes,em detrimento de aplicação de recursos financeiros em atendimento universal relativo aos distúrbios psíquicos.O filósofo Thomas Hobbes,nesse sentido,em ‘‘O Leviatã’’,desvela que o Governo deveria garantir o bem-estar social.Essa reflexão materializa-se no presente momento do país, na medida em que o Poder público descumpre seu papel, o que leva à permanência do estado do indivíduo com transtornos depressivos.

Ademais, em segundo plano, a elevação das doenças psicológicas arquiteta-se como expressão mínima da inação populacional.Essa conjuntura instaura-se devido ao resultado de expressiva parcela da sociedade omitir-se diante de problemas sociais, já que considera que manter-se inerte é preferível a mobilizar-se e pressionar o Governo por mudanças.Essa afirmativa possui estreita relação com a premissa defendida por Félix Guattari e Gilles Deleuze, em ‘‘Mil Platôs’’, de que a contemporaneidade produz corpos dóceis,com o intuito de torná-los apáticos e,consequentemente,compactuarem com a realidade existente.Desse modo,a coletividade não manifesta-se a favor dos jovens afetados pela depressão, e essa minoria permanece excluída ou negligenciada.

A displicência estatal e a compactuação da sociedade, portanto, instauram o panorama de aumento da depressão entre os jovens no Brasil.Assim,o Poder Executivo Federal,sob a forma de Ministério da Saúde,deve promover políticas públicas de inclusão e tratamento social da depressão,por meio de incentivos a empresas privadas que, em contrapartida, investiriam em construção de clínicas populares para atendimento do público afetado,em paralelo à conscientização da população sobre a causa depressiva,por intermédio de propagandas publicitárias em horários nobres.Dessa forma,os cidadãos seriam dignificados, e a filosofia romãntica de Leibniz poderia,enfim, tornar-se realidade.