O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 26/10/2019

Durante o século XIX, a literatura brasileira passava por uma fase melancólica. Sendo assim, eram recorrentes os casos de depressão entre os escritores da segunda geração romântica, o que deixou a doença conhecida como “mal do século”. Entretanto, com o aumento da patologia entre os jovens brasileiros, devido ao uso desmoderado das redes sociais e à falta de acompanhamento paterno, percebe-se que a depressão não se limitou ao centenário passado. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Sabe-se que o público juvenil é o principal desfrutador das inovações da terceira revolução industrial, essencialmente quando se trata das mídias sociais. Todavia, nota-se certa imaturidade e despreparo entre a mocidade por utilizar a internet sem reconhecer os riscos que pode representar. Segundo um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Coreia, adolescentes viciados nessas tecnologias têm maior chance de sofrer com problemas como depressão e ansiedade. Por certo, a maioria dos usuários não identificam o perigo a que se expõe ao revelar sua vida para seguidores ou ao comparar-se constantemente com os padrões estabelecidos nas redes.

Convém ressaltar, ademais, que, durante a juventude, as pessoas já estão vivenciando muitas transformações. Então, elas precisam se posicionar e decidir quem são e o que querem em um mundo, por vezes, contraditório e superficial. Todas essas transmutações propiciam uma sensibilidade, que pode ser mal compreendida pela família. De acordo com Freud, o indivíduo torna-se mais forte quando está seguro de que é amado. Por isso, é necessário que os país de adolescentes saibam analisar os gatilhos da doença e, sobretudo, serem participantes de toda etapa do desenvolvimento de seus filhos, garantindo-lhes de que são queridos.

Fica claro, portanto, que o uso abusivo da internet unido ao desamparo paternal oportunizam uma vulnerabilidade para a depressão entre os jovens. Desinente disso, a família brasileira deve ser aconselhada e amparada pelo Ministério da Saúde para ser capaz de dar apoio ao jovem que enfrenta a enfermidade ou está propenso a ela. Isso deve ser feito por meio de campanhas publicitárias, que além de abordar sintomas e estímulos da doença, também conscientize a sociedade acerca dos limites para a utilização saudável das redes sociais. Para que, assim, os índices de depressão possam diminuir e a melancolia não defina essa nova geração como definiu os escritores românticos.