O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 26/10/2019

Na obra “A Cidade do Sol”, Tomás Campanella idealiza uma cidade onde os seus habitantes têm suas necessidades essenciais supridas. Todavia, o que se observa na realidade não condiz com as ideias do escritor, mormente se considerarmos o aumento da depressão entre os jovens no Brasil e, por conseguinte, seus impactos negativos. Esse quadro encontra suas origens tanto na esfera política quanto na esfera social, devendo ser alvo de discussão, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primordialmente, é crucial pontuar que o problema em foco é oriundo da baixa atuação governamental, no que concerne à execução dos direitos previstos por lei. Segundo John Locke, o estado é resultado de uma convenção humana e tem por objetivo garantir os direitos inalienáveis dos indivíduos, como a saúde mental. Devido à falta de atuação das autoridades, nota-se, nas comunidades, a ausência de núcleos de apoio psíquico e de intervenções educativas, que assegurem o bem-estar mental da parcela juvenil. Essa postura estatal de negligência é reiterada pela pesquisa divulgada no Jornal Carta na Escola, que mostra que, no Brasil, o número de quadros depressivos cresceu mais de 700% nos últimos 16 anos.

Paralelamente a isso, é relevante apontar o elemento social como promotor da progressão da depressão entre os jovens. De acordo com Norbert Elias, as práticas sociais são produzidas e reproduzidas através do fluxo constante da vida em sociedade. De modo análogo, é possível a comparação com a realidade brasileira, à medida em que o país possui estigmas acerca da doença, culminando permanência do quadro depressivo. Assim, o núcleo familiar tende a considerar como preguiça a indisposição sintomática. Entretanto, as repercussões são desastrosas para os jovens. Isso porque, dados disponibilizados no site Drauzio Varella revelam que, pelo menos, um cada cinco pacientes com depressão instalada evolui para quadros de distúrbios bipolares, agravando o revés.

Fica clara, portanto, a necessidade de medidas exequíveis para combater a problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o fito de impedir o avanço da depressão entre jovens, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido na criação e manutenção de núcleos de apoio psíquico comunitário (NAPC) , os quais estarão disponíveis para realizar atendimentos domiciliares, mediante agendamento via ligação telefônica prévia. Ademais, os NAPC ainda podem elucidar aspectos da enfermidade, visando remover os estigmas aderidos, por meio realização de rodas de conversa nas escolas e nos âmbitos laborais de cada município. Dessa maneira, minuir-se-á com a progressão temporal, a incidência da depressão juvenil e a coletividade alcançará similitude com o modelo social descrito por Campanella.