O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 27/10/2019

Historicamente, as doenças mentais sempre foram parte das sociedades humanas. Durante a segunda metade do século XX, Edgar Morin caracterizou a sociedade que vivia o período da Guerra Fria como o “Mundo VUCA”: volátil, incerto, complexo e ambíguo em tradução livre. Isso se dava devido ao sentimento de falta de perspectivas para o futuro entre a população, uma vez que uma guerra poderia ser iniciada, ou uma bomba nuclear jogada sobre a cabeça de cidadãos inocentes a qualquer momento. Dessa forma, os índices de depressão passaram a superar os de histeria pela primeira vez na história. Desde então, a quantidade de jovens deprimidos cresce ano após ano devido a diversos contextos sociais da sociedade pós moderna e à retomada do contexto do “VUCA”.

Atualmente, a sociedade é diariamente bombardeada pela exposição de fotos de colegas, amigos e desconhecidos sorridentes em redes sociais, refletindo uma felicidade exagerada e, muitas vezes, falsificada. Além disso, a cultura do uso exacerbado dos editores de imagem torna os padrões de beleza cada vez mais inatingíveis. Assim, contribui-se para o sentimento de que há algo de errado com a subjetividade do usuário, uma vez que ele não se identifica com o conteúdo ao qual é exposto. A crise econômica também torna as possibilidades de emprego e de uma vida adulta estável aparentemente impossíveis, além das tragédias ambientais, às quais o jovem é muitas vezes impotente. Desta forma, a primeira metade do século XXI retoma o conceito “VUCA”, já que a juventude passa a ver o futuro de forma niilista, sem empregos, sustentabilidade, ou um grupo ao qual ele se identifica, de forma a aumentar os quadros de depressão entre o grupo.

Apesar disso, tal doença é bastante grave e, como tal, deve ser diagnosticada e tratada por profissionais da área. Lançada em 2017, a série norte-americana “Os 13 porquês” aborda a vida de Hanna Baker, uma adolescente deprimida, de forma bastante rasa, de forma que os motivos de sua doença e consequente suicídio sejam reduzidos a conflitos escolares. Assim, a banalização da depressão entre a cultura pop faz com que jovens passem a se autodeclarar deprimidos e incentiva atitudes semelhantes. Desta forma, os índices de adolescentes pseudo-deprimidos aumentam junto das vendas irregulares de anti-depressivos, perigosos para a saúde do usuário.

Sendo assim, a sociedade instável faz com que o jovem deixe de ver o futuro de forma otimista devido à impotência perante tragédias e deslocamento social garantido pelo uso exacerbado de redes sociais. Além disso, há a abordagem banalizadora, em livros, filmes e séries, da depressão. Para resolver tal impasse, é necessário que o Estado invista na saúde mental do jovem, e invista em seu futuro, com empregos e o acesso a psicólogos e psiquiatras que podem tratar o quadro.