O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/10/2019
No famoso quadro expressionista “O Grito”, do norueguês Edvard Munch, os sentimentos de angústia e desespero são retratados com um grito silencioso. Analogamente, essa é a realidade de um número crescente de jovens brasileiros que enfrentam diariamente o quadro da depressão. Sob esse viés, um cenário de diferentes pressões sociais, aliado a uma visão estigmatizada e preconceituosa acerca da doença, contribui para agravar ainda mais essa conjuntura. Nesse sentido, é indispensável o debate a respeito do tema, além de políticas públicas assertivas.
Em primeira análise, é inconteste que a sociedade hodierna, estruturada em cobranças estéticas, principalmente com a difusão das redes sociais, e em exigências profissionais cada vez maiores, é marcada por um conjunto de pressões que atingem, principalmente, a população jovem. Outrossim, corroborando esse entendimento, Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, aponta o que ele caracteriza como “sociedade do desempenho”, onde as regras de enquadramento social estão pautadas em padrões inalcançáveis de exigência, resultando em quadros de angústia e isolamento social. Por conseguinte, essa constatação revela uma preocupante perspectiva, o que ressalta a premente necessidade de medidas de enfrentamento.
Em segundo plano, seja por desconhecimento sobre as reais causas do quadro patológico, ou pelo questionamento genérico em relação aos sintomas, é indubitável a existência de uma série de preconceitos arraigados na sociedade ao se falar sobre o assunto. Assim, é imperioso o reconhecimento da depressão enquanto doença mental crônica e recorrente, como exarado pela OMS – Organização Mundial da Saúde, que acomete, segundo dados publicados em 2018, pelo mesmo órgão, mais de 11 milhões de brasileiros. Nesse diapasão, é inegável a necessidade de uma maior difusão de informações, buscando fomentar uma maior conscientização no corpo social.
Depreende-se, portanto, a necessidade de enfrentamento dos problemas inerentes ao aumento dos casos de depressão entre os jovens brasileiros. Para isso, urge que o Ministério da Saúde, em ação conjunta com o Ministério da Educação, promova oficinas educativas, por meio de palestras e saraus, em escolas públicas de educação básica e ensino médio, visando evidenciar a importância de uma visão crítica e humanizada frente às diversas pressões sociais. Ademais, é mister a participação de médicos e psicólogos, com o fito de desconstruir os estereótipos sobre o enquadramento patológico, e, consequentemente, promover uma maior compreensão por parte das pessoas próximas. Dessa maneira, distante do sofrimento marcado na obra do pintor norueguês, o diálogo tornar-se-á um grito de esperança da juventude brasileira.