O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/10/2019

Em meados do século XIV, durante a baixa Idade Média, a população da época permeou uma das maiores epidemias já registradas: a peste bubônica. Indubitavelmente, ela fora uma doença avassaladora, visto que dizimou um terço da população medieval. No contexto hodierno brasileiro, a depressão configura-se como o “mal do século”, dado que tal fenômeno manifesta-se corriqueiramente e, principalmente, entre os jovens. Dessa maneira, a problemática intensifica-se haja vista o imediatismo do século XXI e o desconhecimento populacional-sobretudo da população em condição de vulnerabilidade socioeconômica- acerca dos distúrbios depressivos.

Em primeiro lugar, destaca-se a insaciável busca pelo imediato-permeada pelo uso excessivo das redes sociais- propiciadora de frustrações que encaminham o indivíduo ao quadro depressivo. Nesse sentido, de acordo com o filósofo grego antigo Sócrates “o homem é um ser social,” ou seja, encontra sua plenitude quando sente-se parte de um grupo e alcança solidez em seus relacionamentos. Contudo, segundo Zigmunt Bauman, filósofo alemão contemporâneo, vive-se a era da “Modernidade Líquida” onde tudo é instantâneo e efêmero, a um clique de ser feito ou desfeito, traçando uma correlação entre imediatismo e tristeza.

Outrossim, a ignorância populacional acerca da depressão configura-se um grave problema, uma vez que inibe a busca por tratamento. Dessa forma, segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde- apesar do Brasil ser o pais da América Latina com o maior percentual nos casos de prostração, menos de dez por cento dos cidadãos buscam as medidas terapêuticas, tal porcentagem é ainda menor dentre os moradores da periferia. Além disso, é tácito que a população em situação de vulnerabilidade social padece mais com a doença, pois segundo o psicólogo Alexander Valverde “a população pobre do Brasil é a que mais sofre com casos depressivos, visto a fragilidade social e a falta de recursos para tratar-se.”

Portanto, urge que o MEC atue nas escolas periféricas ensinando aos discentes os sintomas e a importância da busca por tratamentos da depressão, por meio de palestras e oficinas a serem ministradas por estudantes de psicologia da rede pública em horário não escolar e abertas à comunidade a fim de promover debates entre as camadas menos abastadas e introduzirem conhecimento acerca do assunto apara que eles consigam iniciar a busca por tratamento via SUS nos postos de saúde locais e com os próprios formandos ministradores das palestras. Somente assim, a informação será divulgada e possibilitará tratar o maior numero de pessoas com casos de depressão, evitando que tal doença iguale-se ao fenômeno da Peste Negra visto no século XIV.