O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/10/2019

A obra literária alemã “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Johann Goethe, introduziu uma onda de suicídios sem precedentes. Com isso, muitos jovens dessa época se identificavam com a angústia depressiva do personagem e buscavam a resolução de seus problemas do mesmo modo que ele, tirando a própria vida. Analogamente à ficção, os jovens do Brasil contemporâneo também vêm passando por um surto de depressão, a qual agrava ainda, principalmente devido ao desconhecimento da população sobre a doença.

Em primeira análise, é lícito postular o cenário mundial hodierno, o qual reflete a inconsistência e a constante competição em todos os âmbitos das relações humanas. Entretanto, a necessidade do indivíduo de se renovar a cada dia, somada às pressões, prejudica sua saúde mental e leva a quadros clínicos como a depressão. É oportuno citar também as cobranças no ambiente escolar e universitário, que têm sido fatores determinantes ao crescente número de adolescentes depressivos. Consoante ao pensamento de Schopenhauer-filósofo alemão- de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, pode-se dizer que, enquanto o problema não afetar a população em geral, ela não dará importância e, com a falta de ajuda, muitas vezes, a morte torna-se uma saída.

Outrossim, há a ausência da intervenção familiar, em que, infelizmente, existem pais que não se atentam às ações exercidas pelos filhos, sendo comuns os casos de jovens que se queixam sobre insatisfações e lamentos do cotidiano, mas o assunto é tido como “frescura” e, tal reação, gera a sensação de desamparo. Ademais, a efemeridade das relações atuais, aliada à idealização, é um fator que aumenta os índices de depressão entre os jovens. Com isso, de acordo com Zygmunt Bauman –filósofo polonês-, as relações interpessoais contemporâneas se tornaram muito mais fluidas, ou seja, duram menos e não tem propósito definido. Todavia, há o predomínio de idealizações românticas na mídia, a partir de inúmeros filmes e livros e, essa contradição, pode levar grande parte dos adolescentes a achar que possui uma vida fútil e imperfeita, algo que, se não for tratado, pode levar a depressão.

É imprescindível, portanto, que o Ministério da Saúde, aliado ao da Educação, institua consultas periódicas de alunos com psicólogos nas escolas – máquinas socializadoras-, a fim de tratar frustrações antes de se tornarem mais graves. Além disso, é relevante a realização de palestras no ambiente escolar, juntamente com os pais, possibilitando o diálogo e o esclarecimento sobre as fases da adolescência. Cabe, também, ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, desenvolver redes telefônicas a fim de disponibilizar atendentes preparados a ouvirem e aconselharem aos ouvintes a desprender-se de pensamentos maléficos .Por fim, os Centros de Valorização à Vida devem aumentar o número de postos físicos de atendimento, com o fito de ampliar o acesso a indivíduos que não têm internet e passam por angústia profunda. Apenas assim, casos como o “Efeito Werther” irão ficar apenas na história, e não como uma relação análoga à brasileira.