O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/10/2019
O quadro " O Grito" de Eduard Munch, foi pintado em uma perspectiva de gurra, expressando a grande agonia humana advinda desse embate. De forma análoga, os altos indicies de transtornos mentais como a depressão entre os adolescentes brasileiros revelam a condição de angústia desse grupo social. A qual está relacionada principalmente a banalização dos problemas psicológicos e a falta da atuação governamental.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a trivialização dos problemas psicológicos e os esteriótipos correspondentes a definição de saúde difundidos na sociedade são potencializadores desse impasse. Para a Organização Mundial de Saúde, a concepção de vida saudável não se restringe a ausência de doenças, mas consiste no equilíbrio entre o desenvolvimento físico, mental e social. Contudo, esse conceito para a maioria da população se limita ao visível, relacionando assim os sintomas da depressão ao “drama” ou consequentes da faixa etária e suas mudanças hormonais. Como consequência de um olhar vulgarizado á saúde mental, os estigmas sociais relacionados a ela consolidam um grande obstáculo no momento do diálogo - porta de entrada para o diagnóstico - e consequentemente o tratamento transtorno.
Ademais, é imperativo ressaltar a baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem estar da população. Entretanto, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, somente 10% das pessoas afetadas pela depressão tem acesso ao tratamento no Brasil. Devido a falta de atuação das autoridades cabíveis, as chances de prevalência dessa doença se tornam cada vez mais possíveis, afetando não somente o desenvolvimento pessoal mas toda a contribuição social do indivíduo.
Para que " O Grito " seja apenas uma obra vanguardista, medidas que viabilizem a atenuação desses fatores devem ser efetivadas de forma imediata. Para tanto, faz-se necessária a implementação efetiva da Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio - Lei Nº 13.819 - por meio da União, juntamente com as escolas. Tal implementação, será pautada nas diretrizes de promoção da saúde mental, veiculando tanto palestras quando campanhas publicitárias, nas escolas e internet, que irão informar pais, filhos e o corpo social em geral a sobre a relevância dos danos causados pelos transtornos mentais a fim de quebrar os paradigmas sobre a depressão. Desse modo facilitar-se-á o diagnóstico e por conseguinte o tratamento dessa doenças, diminuindo em médio e longo prazo os efeitos dos indicies e da prevalência da doença no Brasil.