O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/10/2019

É indubitável que a depressão é tipificada como o mal do século XXI. No entanto, tal doença persiste na sociedade desde a antiguidade. Segundo o livro A História da Melancolia, nos tempos bíblicos e mitológicos, a loucura e a melancolia estavam ligadas às superstições. Nesse contexto, hodiernamente, a depressão, que sofreu evolução ao longo do tempo, apresenta índices ascendentes, em virtude de problemáticas tangentes à contemporaneidade. Com efeito, o desconhecimento da população e os aspectos individuais do mundo moderno auxiliam o aumento dos distúrbios mentais entre os jovens no Brasil.

Primordialmente, a depressão é caracterizada como um tabe pela sociedade canarinha, principalmente se relacionada com a juventude. Devido ao fato de a colonização brasileira ter fundamentos ultra religiosos, esse transtorno psíquico crônico é associado, pelos brasileiros, à " falta de Deus", ligando a cura à fé. Nesse sentido, o tratamento científico para a depressão é substituída pela intervenção religiosa, circunstancia que amplia o número de doentes, uma vez que inexiste cuidado médico adequado. Além disso, de acordo com o Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade por suicídio é 2,4 mulheres a cada 100 mil, enquanto, para os homens, chega a 9,2 para cada 100 mil. Isso demonstra a ausência de informação sobre a doença no âmbito comunitário.

Ademais, as relações sociais contemporâneas, representadas pelo individualismo, contribuem para o crescimento  dos casos de jovens depreciados. Em consoante com a teoria do filósofo Zygmunt Bauman, as relações entre indivíduos tornaram-se fracas e maleáveis, ou seja, líquidas, em razão do avanço social e tecnológico. Seguindo esse pressuposto, os pregressos vigentes prejudicam a comunicação interpessoal, já que laços humanos são fragilizados pelo individualismo exacerbado, fazendo com que o doente isole-se e agrave o quadro clinico.

Mediante o elencado, é notório que o aumento da depressão está em congruência com as ações não efetuadas pela sociedade. Portanto, cabe ao Governo informar à população sobre as causas e consequências da depressão, por meio de palestras nas escolas e de campanhas nos veículos de comunicação, com o objetivo de romper esse tabu e de facilitar o diagnóstico, para que tal problemática constitua-se como doença no ideário do ser humano. Por fim, a família deve reforçar as relações pessoais, mediante ao convívio em comunidade e à ajuda mutua entre indivíduos, com o intuito de restabelecer as ações humanizadas e de impedir o isolamento social das pessoas com doenças psicológicas. Dessa maneira, será possível reduzir os altos dados da depressão no Brasil.