O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/10/2019
“O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, é uma obra renomada e, portanto, mundialmente conhecida. Sob essa análise, é possível observar o sentimento de dor e angústia refletido na expressão facial do homem, assim como nas cores escuras pintadas. Fora do universo artístico, nota-se que tais sensações são, no atual cenário brasileiro, consequências do alto crescimento de depressão entre jovens no país, ora pelo preconceito em torno do autoextermínio, ora pela falta de informação sobre o tema.
De início, é válido trazer à tona como a censura da autoquíria nas relações interpessoais sustenta o impasse. Diante disso, é evidente que a falta de debate acerca dos riscos que a depressão pode causar é motivada pelo tabu enraizado na sociedade, visto que esse mal é, pra muitos, razão para vergonha e preconceito, sendo proibido sua menção nos diálogos cotidianos. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao observar que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2016, o autocídio é a terceira maior causa de mortes entre jovens no Brasil. Dessa forma, semelhante ao quadro de Munch, a corpo cívico presencia, no dia a dia, a saúde humana cada vez mais deturpada.
Outrossim, é fulcral pontuar, ainda, que o desconhecimento acerca dessa problemática fomenta a sua perpetuação. Sob esse viés, nota-se que, embora exista uma cartilha que oriente a sociedade acerca da correta abordagem do tema, disponibilizada pela OMS, evidencia-se a intensa falta de conhecimento oriunda da população acerca disso, visto que a omissão de um suporte adequado, bem como do auxílio de especialistas contribuem para a transmissão de informações imprecisas. Dessa modo, o suicídio não é prevenido e, consequentemente, a sociedade torna-se refém da má gestão da saúde pública.
Logo, o Tribunal de Contas da União deveria disponibilizar verbas para que, por meio do Ministério da Saúde, sejam realizadas ampliações das campanhas de prevenção ao suicídio, já que é fundamental conhecer as causas principais desse imbróglio, com o fito de evitar que esse ciclo deletério continue degradando o corpo social, de modo a obter saúde de qualidade às pessoas. Além disso, é necessária a divulgação, por parte da mídia televisiva, da cartilha criada pela OMS, a fim de intensificar o senso profilático na nação. Feito isso, as cores escuras, sobre os quadros artísticos, não serão mais reflexos de negatividade e de aflição.