O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 31/10/2019
O livro “Holocausto Brasileiro” narra as péssimas condições de vida, marcadas por torturas e privações, a que eram submetidas pessoas diagnosticadas com doenças mentais no hospício Colônia. Embora vetusto, tal cenário se assemelha ao contexto contemporâneo, haja vista que jovens que sofrem com a depressão ainda enfrentam imbróglios no que se tange ao respeito e acesso à assistência adequada, seja no âmbito social, de saúde ou familiar. Em razão disso, deve-se atentar à importância da discussão sobre esse tema na esfera coletiva.
Em primeira análise, é importante pontuar a influência do estilo de vida e das relações sociais modernas no desenvolvimento dos jovens. Conforme ideário do filósofo polonês Zygmunt Bauman, o enfraquecimento dos laços afetivos simultâneo à ascensão da tecnologia e do consumo desenfreado, produz sentimentos de incerteza e angústia. Desse modo, essa faixa etária, caracterizada pelas pressões socioprofissionais e mudanças hormonais, torna-se mais vulnerável para ocorrência dos sintomas de estresse e ansiedade, os quais intensificam o transtorno depressivo.
Por conseguinte, segundo a filosofia de Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir saúde e bem-estar social. Entretanto, os programas de prevenção e acompanhamento da depressão, disponibilizados pela rede pública, atuam como entraves para a efetivação desse direito, uma vez que são insuficientes e incapazes de alcançar a demanda populacional. Essa conjuntura sinaliza a negligência com que é tratado esse problema de saúde que assola o país.
Ademais, é indubitável que a falta de discussão sobre a depressão na sociedade contribui para a tipificação dela sob um ângulo preconceituoso, no qual é tida como insignificante e desnecessária. Desse modo, a falta de conhecimento sobre a gravidade dessa doença e a forma devastadora com que ela atinge os jovens, contribui para o afastamento e isolamento das famílias. Esse comportamento é alarmante, visto que o apoio e a assistência familiar são cruciais durante as crises.
Portanto, para reverter essa problemática, é necessário que o Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, amplifique os projetos de assistência psicológicas em escala proporcional à demanda. Para isso, são necessários maiores investimentos na contratação de profissionais especializados para atuar em escolas e unidades de saúde. Desse modo, com o acompanhamento adequado e mais acessível, as taxas de jovens atingidos pela depressão diminuirão. Aliado a isso, o Ministério da Saúde deve promover discussões sobre a depressão que envolvam psicólogos, psiquiatras e as famílias, a fim de esclarecer a gravidade e os sinais da depressão, bem como desmistificar os esteriótipos envolvendo o tema.