O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/10/2019
O sociólogo Zygmunt Bauman, em “44 Cartas do Mundo Líquido Moderno” faz o alerta de que a depressão em breve estará em segundo lugar entre as doenças graves, perdendo apenas para doenças cardíacas. Desse contexto, emerge uma discussão acerca do aumento dessa incidência, sobretudo no tocante aos jovens brasileiros que representam novas vítimas potenciais dessa doença, bem como das suas consequências para o indivíduo e a sociedade. Nesse sentido, torna-se vital desmistificar as concepções anteriores da depressão, desenvolvendo um nova postura de combate, seja para eliminar tabus acerca da condição, seja para reverter os danos humanos envolvendo-a.
No que concerne ao primeiro ponto, é relevante salientar que a depressão está envolvida em estigmas infundamentados que impedem seu enfrentamento, de modo a propagar o sofrimento. Acerca disso, vale trazer o pensamento do psicanalista Sigmund Freud, o qual define tabus como proibições antigas calcadas de modo violento a uma geração contra aquilo que se tinha forte inclinação ou tendência. A partir disso, infere-se que a depressão pode ser entendida com um tabu da juventude contemporânea, no qual, por não ser debatida e analisada socialmente, torna-se inviável quaisquer esforços de mitigar o mal advindo dela. Assim, diferentemente de outras síndromes que são discutidas e revertidas, a depressão perpetua-se invariavelmente, contraindo novas vítimas e ampliando a dor.
Já em relação ao segundo ponto, é coerente pensar nos prejuízos humanos oriundos da síndrome depressiva e seus danos ao sujeito e sua família. Para elucidar essa questão, cabe atentar-se ao filósofo Thomas Hobbes afirma que a tristeza súbita proveniente da convicção de falta de poder chama-se desalento. Posto isso, constata-se que as vítimas da depressão podem ser entendidas como desalentadas, na medida em que sentem-se impotentes frente a uma condição que as aflige por dentro, o que acarreta em uma série de consequências negativas, como a perda de proatividade e sociabilidade, reclusão e descrédito. Desse modo, os jovens são particularmente mais afetados, visto que alterações nessa fase pode determinar um comportamento crônico e comprometer toda sua vida.
Defronte ao apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas capazes de reverter o surto depressão vivenciado entre os jovens brasileiros. A respeito disso, o Ministério da Saúde, por ser o órgão responsável por zelar pela saúde pública e coordenar ações de âmbito nacional, deve elaborar um pacto nacional em defesa da vida e da saúde nas escolas. Isso pode ser feito por meio de parcerias com estados e municípios, ampliação do Centro de Valorização da Vida e incremento do atendimento de psicólogos, terapeutas e psiquiatras nas escolas. Tudo com o objetivo de criar uma rede de apoio próxima aos jovens, salvaguardando-os de danos causados pela perpetuação dos casos de depressão.