O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 31/10/2019

Escrita em plena Ditadura Militar, a obra “O que é? O que é?” expõe como o músico Gonzaguinha, seu autor, concebe a exuberância da vida e mostra seu otimismo em relação à mesma. Entretanto, no Brasil do século XXI, quando a liberdade individual é uma marca histórica, os altos índices de depressão entre jovens se mostram como um paradoxo em relação à música. Nesse sentido, a banalização e desconhecimento da doença impõem obstáculos na resolução desse problema. Além disso, a desvalorização de psicólogos e psiquiatras no âmbito social colabora para o impasse.

Em primeiro plano, a depressão é um distúrbio neurológico que impede o funcionamento normal de sinapses entre neurônios e está relacionada a um quadro de melancolia profunda. Na juventude, esta é recorrente para aqueles que apresentam casos no âmbito familiar. Porém, mesmo com dados alarmantes no Brasil – o país é o terceiro colocado no ranking de pessoas com pelo menos um episódio da doença durante a vida, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) -, esse transtorno ainda é banalizado. Tendo em vista que, frases como “isso é frescura” ou “arruma algo pra mente que melhora”, fazem parte do discurso de muitos brasileiros, dão uma amostra de como o assunto é desconhecido. Logo, para reverter esse cenário são necessárias atitudes que começam na formação individual.

Todavia, o desprezo dos cidadãos com os profissionais de saúde que trabalham com desarranjos mentais e emocionais, igualmente corrobora a problemática. Sob essa ótica, a parcela da população que mais poderia auxiliar famílias e o Estado no combate contra a “epidêmica tristeza” que assola a juventude é justamente uma das mais desvalorizadas. Ratificando esse fato, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 43% dos brasileiros acreditam que a psicologia não tem nenhuma utilidade prática e 58% pensam que a psiquiatria é somente para a cura de deficientes mentais. Portanto, para que mais jovens com depressão possam ser ajudados, urge ao país valorizar tanto psicólogos quanto psiquiatras.

Em síntese, para que a análise otimista e alegre de Gonzaguinha sobre a vida se materialize e se generalize, ações voltadas para o combate da depressão entre os jovens são essenciais. Desse modo, é dever do Ministério da Educação promover uma maior divulgação sobre as causas e consequências da doença, por meio de campanhas publicitárias e uma maior difusão desse conhecimento nas escolas, para que familiares saibam o que fazer quando um indivíduo se encontra em tal situação. Ademais, é de responsabilidade do Ministério da Saúde, através de parcerias com ONGs e clínicas de psicologia e psiquiatria, promover uma maior participação desses profissionais no cotidiano dos brasileiros. Assim, essas atitudes diminuirão o poder que esse transtorno mental tem sobre a juventude brasileira.