O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 01/11/2019
Segundo o filósofo John Stuart Mill,o individuo é soberano sobre seu corpo e mente. No entanto, ao se analisar o contexto e que a depressão entre os jovens está inserida, observa-se defasagem entre o postulado filosófico e a realidade. Desse modo, é válido ressaltar que fatores sociais e econômicos transgride o direito a isonomia humana, causando o aumento da incidência de depressões, caracterizando-se como “o mal do século” que precisa ser atenuado.
A depressão atinge cerca de 12 milhões de pessoas no Brasil e cada vez jovens e adolescente vem sendo diagnosticados com essa doença que pode até causar a morte. Os sintomas entre os mais jovens podem ser diferenciados, e por isso é preciso ter bastante atenção com as especificidades. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) a depressão é a segunda causa de morte entre pessoas da faixa etária entre 15 e 29 anos. Questões sobre sexualidade, dificuldade em lidar com frustrações, bullying, além de pressão pela escolha da carreira e por um bom desempenho escolar estão na base de conflitos que podem funcionar como agravantes, alerta a psicóloga Vera Ferrari Rego Barros, presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).
Além disso, a discussão é impulsionada, por exemplo, por filmes e séries que tratam os temas, como 13 Reasons Why, da Netflix. Mas apesar de estarem ‘antenados’ quando o assunto é saúde mental, esse mesmo público não se sentiria à vontade para falar sobre depressão com a família, colegas de trabalho ou de escola se recebesse o diagnóstico da doença. A constatação é de uma pesquisa feita pelo Ibope Conecta com dois mil brasileiros, a partir dos 13 anos de idade, em diferentes regiões do País. Segundo os resultados, 39% dos adolescentes de 13 a 17 anos dizem que não se sentiriam à vontade para dividir o problema com a família e 49% não compartilharia o diagnóstico na escola ou no trabalho. Outro fator de extrema relevância para o aumento do agravamento da doença e o desconhecimento por parte da população. Destarte, a vítima quando expressa alguns dos sintomas, como desânimo, sonolência, tristeza sem motivo e isolamento social é vista como preguiçosa e incapacitante.
Dessa forma é necessário que o Governo, por meio do Ministério da Saúde, em conjunto com o Sistema Único de Saúde, promova a construção de centros especializados em diagnósticos e tratamento da depressão, capacitação de psicólogos e psiquiatras para sanar as dúvidas recorrentes sobre a essa doença. Como também, investir em campanhas publicitárias a fim de alertar sobre o aumento dessa doença, e como reconhecer os sintomas, principalmente maneiras de ajuda.