O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 02/11/2019
“Por isso, ó morte, eu amo-te e não temo… Leva-me ao nada, leva-me contigo”. O trecho da obra “Fragmento de hora de delírio”, do autor Junqueira Freire demostra uma visão pessimista e subjetiva da angústia do eu lírico. Com isso, ao transparecer a problemática do aumento da depressão entre os jovens, torna-se evidente a inobservância das transtornos emocionais que acarretam uma psique enferma e retraída. De fato, uma mazela protelada por uma sociedade passiva e, por extensão um olhar estatal longínquo.
Nesse caleidoscópio, vale salientar que o mundo globalizado e acrescido de uma cultura imediatista, fomenta uma comodidade social, no que tange a temática. Não raro, o contorno de relações do século XXI, não prepara o jovem de maneira eficaz para enfrentar um universo competitivo, excludente e repleto de paradigmas ultrapassados. Conforme apregoa o sociólogo Émile Durkhein, em sua obra “O suicídio”, quando a sociedade passa por pertubações e mudanças, a pressão social ganha força sem regulação, exagerando o valor material, causando assim o sofrimento e fragilização do indivíduo. Tal pensamento torna nítido às relações pautadas na fluidez e rapidez, destoando em uma mentalidade individualista que, impulsona o mal do século “depressão”. Ora, isenta-se de culpa é a saída viável.
Ademais, um fator louvável é a criação da Lei 13.819, que institui a política nacional de prevenção da automutilação e do suicídio, que soa como medida preventiva, com canais de atendimento ao público, para permitir uma institucionalização efetiva que amenize os danos psicológicos, intelectuais e sociais a quem é resistente na busca por ajuda. Contudo, como proclama Gregório de Matos “o todo sem parte não é todo”, afirmação essa que em paralelo às responsabilidades, urge a necessidade de ações conjuntas com a comunidade para o acolhimento juvenil pleno dessa questão político-social. Dessa forma, torna-se fulcral uma mudança comportamental.
Infere-se, portanto, medidas para mitigar a mazela do aumento de depressão entre os jovens. Logo, é significativo que a mídia promova campanhas para alerta sobre a importância da busca por auxilio nos canais governamentais, ou mesmo no ambiente familiar, e por intermédio de profissionais esses jovens sejam acolhidos, a fim de gestar uma maior empatia pela causa. Outrossim, o Estado deve por meio do Ministério da Educação e Saúde viabilizar projetos e palestras nas escolas e postos de saúde com especialistas para atentarem a relevância de procurar amparo nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com fito de minorar os casos de transtornos da psique. Assim, o sentimento pessimista ficará penas na obra de Junqueira Freire.