O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 21/03/2020
Elias, profeta do antigo testamento, foi uma personagem que de acordo com o relato bíblico, retraiu-se em solidão, chegando a esconder-se em uma caverna para viver seu período de melancolia. De semelhante modo, é possível traçar um paralelo com a realidade atual, na qual uma parcela considerável da população, sobretudo a jovem, tem sido afligida pela depressão e doenças mentais correlacionadas, de forma a gerar incapacidade e sofrimento intenso. Dessa maneira, por perfazer um problema crescente, a depressão deve ser discutida não somente por sua incidência, mas por sua incompreensão e, sobretudo, pelo potencial risco à vida que ela representa.
É importante salientar, a princípio, que o aumento dos casos de depressão, ansiedade e transtornos afins, afora seu caráter genético, relacionam-se à incapacidade das pessoas em responder às demandas sociais que lhes são impostas, de forma a causar frustração e adoecimento. Ademais, em um mundo de relações objetificadas e quantificadas impera o medo de não ser aceito, de ser estigmatizado, o “medo líquido” de Bauman. Assim, faz-se necessário entender o “espírito do tempo”, as prioridades atuais e como as pessoas lidam com elas, para jogar luz ao debate sobre a depressão em sociedade, como problema coletivo, no intuito de compreendê-la e prevenir sua consequência mais severa: o suicídio.
Por outro lado, o sistema de saúde possui lacunas que o tornam falho quanto ao acesso, prevenção e proteção à pessoa em risco e/ou necessitada de tratamento de depressão. Nesse ínterim, aqueles que sentem a necessidade de ajuda se desestimulam pelas dificuldades em conseguir uma consulta com profissionais capacitados, pelos inúmeros obstáculos encontrados como a falta de profissionais, a dificuldade em acompanhamento, bem como pelo estigma e discriminação que um diagnóstico desse poderia lhe causar. Assim, ao não promover acesso e educação em saúde, o sistema alimenta um círculo pernicioso que proteção e bem estar da vida das pessoas.
É fundamental, portanto, para resolução dessa problemática, que haja o fomento a projetos, pelo Ministério da Saúde e Secretarias Municipais, em associação à mídia, às escolas e às organizações como o CVV (Centro de Valorização da Vida), para que se utilizem de debates, propaganda digital, instituição de “botões de ajuda” em redes sociais e aumento do número de equipes de saúde que promovam uma busca qualificada eme escolas, igrejas e associação de moradores, no intuito do diagnóstico precoce, educação em saúde e prevenção de incapacidades. Para que, assim, se jogue luz à caverna de muitos que vivem como Elias e que haja a valorização da qualidade de vida em saúde.