O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 13/04/2020

A segunda fase do Romantismo, no século XIX, foi marcada por obras melancólica, depressivas e acabou conhecida como “Mal do Século”. Fora da ficção, o Brasil e o mundo atual precisam lidar com o verdadeiro mal, a depressão, que acomete grande parte da população e tem um número crescente entre jovens. Tal problemática pode ser explicada não só pela falta de empatia para com próximo, mas também pela pressão exercida sobre esses cidadãos.

De acordo com o sociólogo Durkheim, quanto maior o grau de interação entre membros de um grupo, maior o grau de solidariedade no mesmo. Contudo, segundo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, as pessoas estão cada vez mais individualistas. Dessa maneira, há uma menor interação entre as pessoas e a solidariedade perde força, desvalorizando a palavra empatia que, segundo a Associação Paulista pra o Desenvolvimento da Medicina, seria uma forte aliada no combate à depressão.

Além disso, ainda em sua obra, Bauman ressalta a fluidez e rapidez das relações, o que gera angústia nos jovens que buscam aceitação social. Dessa forma, para se ter uma vida estável, que é aceita socialmente, como ter um emprego bom e casar, em um mundo instável, no qual os empregos estão flexibilizados e as relações humanas podem acabar a qualquer momento, é necessário um grande esforço, sendo que a maioria das vezes o indivíduo se frustra. Desse modo, ao acumular frustrações, tristezas e angústias, os jovens tendem a ficar depressivos.

É inegável, portanto, a necessidade de se prestar mais atenção nos jovens do país. Para tanto, cabe ao governo, em parceria com a mídia, criar projetos para a conscientização social, por meio de propagandas e palestras, sobre a necessidade de interagir com próximo, bem como o entendimento de que não é necessário ter uma vida perfeita, a fim de diminuir os casos de depressão entre os jovens. Assim, o estilo depressivo e melancólico do Romantismo brasileiro ficará somente na literatura.